Idi Amin e a segurança rodoviária

“[…] Seja como for, é importante levar [Idi] Amin para uma questão sem controvérsia.”

“Tipo o quê?”, perguntei eu, enquanto o Lago Vitória expandia a sua cor de esmeralda à nossa direita.

“Cintos de segurança é uma boa questão”, disse ele, “a importância dos cintos de segurança nas estradas de África.”

Foi assim que eu e Paterson acabámos a discutir a política de segurança rodoviária com Idi Amin no jardim da Cidade do Cabo.

[…] e de repente a voz estrondosa de Amin trouxe-me de volta à realidade. […]

“Como sabe, é bem verdade. A Escócia e o Uganda, ambos sofremos centenas de anos de imperialismo inglês. É por esse motivo que conto alargar a Guerra Económica aos interesses britânicos no Uganda. O que é que pensa disso?”

Paterson, no entanto, foi fiel à sua estratégia. “Excelência, como médico eu gostaria de falar sobre os acidentes de viação no Uganda. Creio que seria possível salvar muitas vidas.”

Nessa altura, Amin pousou a sandes de pepino, já meio comida, e levantou-se para se dirigir à assistência. Um gesto ao qual me habituei.

“Não haverá acidentes no novo Uganda. Já está tudo planeado. […] Este continente tem as suas próprias leis.”

“Mas, Sr. Presidente”, apelou Paterson, “a mais importante lei a ser implementada é a de tornar obrigatório o uso dos cintos de segurança no Uganda. Dessa forma, muitas vidas serão salvas.”

Uma onda percorreu a sobrancelha de Amin. “Por que é que insiste nos cintos de segurança? Cada vez que me encontro consigo, Dr. Paterson, você fala-me de cintos de segurança. No Uganda, há problemas mais prementes do que os cintos de segurança.”

Levantou-se da mesa, batendo nela com os joelhos e deixando nos copos o chá gelado a balançar. “É hora de se irem embora. Fiquei irritado com esta conversa dos cintos de segurança.”

[…] “Talvez”, dizia Paterson, no regresso, “os cintos de segurança não tenham sido lá muito boa ideia.”

Giles Foden, “O Último Rei da Escócia” [pp.188-191]. Vila Nova de Famalicão: Editorial Magnólia, 2007

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