A luz apaga-se e acende-se o medo

Jornal do Centro de Saúde

A luz apaga-se e acende-se o medo
Cláudia Pinto (claudia.pinto@jornaldocentrodesaude.pt)
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

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«“Todos nós, em determinada altura da nossa infância, tivemos medo do escuro ou pedimos aos nossos pais para deixar a luz do corredor ou do quarto acesa”, afirma Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra e Presidente da Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica. O medo do escuro deve ser encarado com “bom senso”. É normal que o seu filho se queixe desta inquietação. “A criança sente este medo quando fica sozinha consigo mesma. Isto significa que vai ficar só, sem a televisão a encher-lhe a cabeça de imagens”. As crianças que se sentem inquietas com a escuridão “são aquelas que mais filmes fazem na sua cabeça e que têm uma enorme imaginação visual”. Quando a luz se apaga, o “aparelho psíquico das imagens que vêm do exterior é desocupado”. É nesta altura que as crianças “se vão ocupar com imagens que vêm do seu interior”. Apesar da noite ser boa conselheira, pode também trazer à tona as preocupações do dia-a-dia. Todos nós já passámos por momentos destes ou já sofremos terríveis insónias por estarmos demasiado ocupados com os nossos problemas. “Os nossos filmes interiores são, geralmente, muito angustiantes. Os miúdos transformam-se em autênticos realizadores de filmes de terror”. O medo do escuro surge normalmente “quando a criança consegue fazer representações mentais com imagens”, o que equivale ao primeiro ano e meio de idade. Não há uma idade específica para que este medo desapareça e até “é muito comum que o medo do escuro se prolongue durante a vida adulta. É por isso normal que, muitos idosos prefiram estar acompanhados do som da televisão, mesmo que não estejam atentos à mesma”.
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É também quando a luz se apaga que as crianças se separam dos pais. Pela primeira vez, durante o dia, a criança fica entregue a si mesma. “A angústia da separação é normalíssima no ser humano. Surge quando a criança já reconhece na sua memória a mãe e, por algum motivo, ela lhe falta”. Ana Vasconcelos é da opinião que devem ser criados ritmos para que os filhos percebam que os pais estão temporariamente ausentes mas irão regressar ao fim da tarde. “Os miúdos que desenvolvem medo do escuro, muitas vezes, são filhos de pais que têm ritmos de vida alucinantes e que não vão buscar as crianças à escola à mesma hora. Não há rotina nem ritmos instalados”. Tal facto pode ser simplesmente modificado se os pais se habituarem a telefonar para a escola a informar que irão chegar mais tarde.
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Quando deve procurar um especialista?

O bom senso é a palavra de ordem para lidar com estes casos. É normal que as crianças tenham medo do escuro. No entanto, a partir do momento “em que a criança fica nas mãos daquele medo e deixe de ser ela própria, os pais devem começar a preocupar-se”. Nos primeiros dias, “podem tentar adormecer a criança para que ela se sinta mais segura. Se passarem duas a três noites sem conseguirem com que durma no seu quarto, devem procurar a ajuda do pediatra para se aconselharem”. Posteriormente, se o pediatra considerar que se justifica, a criança pode ser encaminhada para outro especialista.

Para Ana Vasconcelos, “também pode ajudar ter uma luz pequena de presença no quarto ou deixar a luz do corredor acesa”. O essencial “é ajudar a criança a ultrapassar aquele momento de fragilidade sem a rigidez de alguns pais que ainda podem deixar a criança mais aflita”. Tranquilidade recomenda-se. Interessa saber “qual foi a situação do dia que despoletou este medo”. Os pais não devem esquecer que “são eles os que melhor conhecem aquela criança”, conclui Ana Vasconcelos.

2 comentários em “A luz apaga-se e acende-se o medo”

  1. meu filho de sete anos tem medo de ficar sozinho o que devo fazer nao dorme sozinho e nao fica no banheiro sozinho

  2. O nosso conselho não pode ser outro senão o de consultar o seu pediatra e ter sobretudo calma e serenidade…

    Atenciosamente

    Bébé Confort Coimbra

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