As “águas rebentam” sempre?

Pais & Filhos

A culpa é dos filmes. Grávida de fim de tempo que apareça numa fita vê o nascimento do ‘seu’ bebé ser quase sempre precedido de uma repentina inundação à qual se seguem, instantaneamente, gritos, dores lancinantes e viagens alucinadas a caminho da maternidade. Mito.

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O número de mulheres a quem as ‘águas rebentam’ antes das contracções é, por isso, bastante reduzido: uma em dez. Também não se pode dizer que o rompimento da bolsa amniótica seja o equivalente a um dilúvio. Para muitas mulheres, a saída de líquido faz-se de forma progressiva, a conta gotas quase, dependendo do local onde se deu a ruptura.

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E quando a bolsa não rompe?
Cada vez menos mulheres passam pela experiência de sentir as suas águas rebentarem. Isto porque o rompimento artificial da bolsa amniótica – a amniotomia – se tornou um dos procedimentos mais comuns em obstetrícia. É uma das consequências da excessiva medicalização do parto. O objectivo é induzir o nascimento ou acelerá-lo.

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Num número muito reduzido de partos – cerca de um em mil – pode ocorrer um fenómeno que os antigos consideravam um bom presságio: a bolsa não rompe de todo e o bebé nasce envolto pela sua casa de água. Acreditava-se que alguém nascido assim ficaria para sempre protegido de morrer afogado.

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