A luta para ter um filho

Rute Araújo publicou um excelente artigo no Correio da Manhã (15/11/2008) sobre a procriação medicamente assistida (PMA):

“[…] para 500 mil casais no País, desejar não chega. Engravidar é uma batalha. Gasta-lhes as energias, o dinheiro, o tempo e os sonhos. […] Torna-se a medida de todas as coisas. […]

Portugal faz tratamentos de PMA desde o final dos anos 80, durante décadas sem que uma lei lhes desse forma e limites. Até 2006. Mas o País não parou à espera de ter uma lei. Houve novas descobertas e criaram-se centros de PMA. Nasceram “seguramente mais de 20 mil crianças”, segundo as contas de Mário Sousa, geneticista e um dos precursores do País. Sete dos actuais centros são públicos. Se no privado um tratamento chega facilmente aos 5 mil euros, aqui só se pagam taxas moderadoras. Poupa-se dinheiro, mas gasta-se tempo.

[…] A partir dos 38 anos a taxa de sucesso desce e uma mulher deixa de ser aceite num centro público. Com a demora para cada consulta, cada exame e cada tratamento, aos 35 já começa a fazer contas de cabeça.

No ano passado, o Governo assumiu pela primeira vez que o que existe não chega. E anunciou um aumento dos apoios, prometendo mais 18 milhões de euros para financiar tratamentos no privado. Como as medidas do Governo também têm listas de espera, um ano passou e os casais continuam a aguardar que esses milhões lhes cheguem.

[…] Quando tudo estiver criado, haverá mais quatro centros – em Coimbra, Cova da Beira (Covilhã), Garcia de Orta (Almada) e Faro. E mais seis consultas especializadas nos hospitais. Todos juntos, os 11 centros de PMA públicos terão de atender pelo menos 50% dos casais. Os outros serão encaminhados para o privado, com o Estado a pagar uma parte dos tratamentos.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

– Quais os tratamentos de procriação medicamente assistida?

– Os nomes são complicados, mas bem conhecidos dos casais. Fecundação in Vitro (FIV), Inseminação Intra-Uterina (IIU) ou Microinjecção Intracitoplasmática (ICSI) são alguns deles. Mas a lista é extensa e depende da causa da infertilidade.

– O que é a infertilidade e como um casal a pode detectar?

– A infertilidade resulta de uma disfunção nos órgãos reprodutores, masculinos, femininos ou de ambos. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos.

– Pode prevenir-se a infertilidade no homem e na mulher?

– O geneticista Mário Sousa diz que quase metade dos casos podem ser prevenidos. O que passa por evitar o consumo de tabaco, álcool e drogas, reduzir o número de parceiros e aumentando a idade da primeira relação sexual.

– O que é um banco de gâmetas? Existe algum no País?

– É um banco onde se armazena espermatozóides e ovócitos para tratamento. Mário de Sousa, um dos melhores especialistas, tinha um projecto, mas o ex-ministro Correia de Campos inviabilizou a ideia. A DGS está a “consultar” especialistas.

– Os 26 centros existentes têm todos as mesmas condições?

– Só este ano foram criados requisitos de qualidade. O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida ainda está a licenciar os centros. O presidente, Eurico Reis, diz ter recebido apenas três pedidos, todos do sector privado.

[…] CENTROS DE REPRODUÇÃO

– Hospital Senhora da Oliveira, Guimarães

– Hospital de São João, Porto

– Hospital de Santo António, Porto

– Maternidade Júlio Dinis, Porto

– Maternidade Bissaya Barreto, Coimbra

– Maternidade Alfredo da Costa, Lisboa

– Clínica Obstétrica e Ginecológica de Espinho – COGE Rua da Idanha, Espinho

– Clínica de Genética Prof. Doutor Alberto Barros, Av. do Bessa, Porto

– Centro de Estudos e Tratamento da Infertilidade – CETI, Av. da Boavista, Porto

– Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Gaia

– Hospitais da Universidade de Coimbra, Coimbra

– Hospital de Santa Maria, Lisboa

– Centro de Medicina de Reprodução – FERTICARE, Av. da Liberdade, Braga

– Centro de Estudos de Infertilidade e Esterilidade, R. Dom Manuel II, Porto.

– Espaço Fertilidade, Rua do Brasil, Coimbra

– AVA CLINIC, Praça D. Pedro IV, Lisboa

– Centro CLIFER, Rua Padre Américo, Lisboa

– IMOCLINICA, Campo Grande, Lisboa

– Clínica Bom Jesus, Av. Príncipe Alberto do Monáco, Ponta Delgada

– Clínica CLINDIGO, Rua Luciano Cordeiro, Lisboa

– Centro CEMEARE, Av. das Forças Armadas, Lisboa

– British Hospital XXI, Rua Tomás da Fonseca, Torres de Lisboa.

– Centro de Medicina da Reprodução de Cascais, Al. Combatentes da Grande Guerra, Cascais

– IVI Lisboa, Av. Infante D. Henrique, Lisboa

– CLINIMER R. Dr. Manuel Campos Pinheiro, S. Martinho do Bispo

PREÇOS

MEDICAMENTOS

Comparticipados a 37%, os medicamentos chegam a custar mil euros por cada ciclo (injecções que estimulam a produção de óvulos, por exemplo).

TRATAMENTOS

No privado podem custar mais de cinco mil euros, como a Microfertilização (ICSI) com doação de ovócitos, ou quase quatro mil euros, como a Fertilização in Vitro (IVF). Muitas vezes, é necessário mais do que uma tentativa. […]”

Fonte: Correio da Manhã, 15/11/2008

Um comentário em “A luta para ter um filho”

  1. Boa tarde,

    Acabei de fazer a 1ª tentativa na clinica do prof alberto barros, mas deu negativo, estou a ser acompanhada no hosp s. joao à mais de 1 ano e continuo à espera de uma consulta de planeamento familiar para passar à genetica, mas como me disseram hoje, via telefone, não estão com capacidade de resposta e as consulta estao paradas, so a partir do prx mês é que irão retomar!!! no meio desta confusão não sei o que fazer porque o governo diz que o nosso país é velho mas não ajuda na natalidade, é uma espera desesperante.
    Será que me podem dar alguma dica, porque não tenho mais dinheiro para gastar no privado e preciso da consulta no hosp s. joão urgênte face a um mioma que tive de retirar em Novembro para a transferência dos embriões e que em breve crescerá infelizmente, segundo dados médicos, portanto o meu tempo é escasso.
    Bjs
    Cristina

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