Portugal contabiliza cerca de mil bebés prematuros, abaixo dos 1500 gramas, por ano

«Portugal contabilizou 1025 bebés prematuros abaixo dos 1500 gramas e das 32 semanas de gestação, no ano de 2008.

[…]Nos últimos 30 anos, a realidade da prematuridade tem subido no nosso país. Se há 30 anos, 5% dos pequeninos que nasciam estavam abaixo das 32 semanas (mas já depois do limiar da viabilidade), hoje são já 7%. A causa mais frequente, dizem os especialistas, são as infecções assintomáticas. “É, de facto, a causa mais apurada. São as infecções bacterianas ou víricas. Uma placenta inflamatória ou uma infecção urinária, por exemplo, podem espoletar as contracções de parto”, explicou Hercília Guimarães, directora do Departamento de Neonatologia do Hospital de S. João, no Porto. Por outro lado, pormenorizou a especialista, a prematuridade “é multifactorial”. “Se a mãe sofrer de uma doença crónica como uma cardiopatia, a probabilidade de vir a ter um bebé prematuro é maior”, disse.

Mas uma coisa é a causa mais verificada, outra coisa são os factores de risco, sobre os quais nem sempre se pode provar matematicamente que estiveram na origem de um parto prematuro. “Sabemos que o stress e que uma vida muito apressada e cheia de preocupações pode ser um risco, mas não podemos provar matematicamente que foi o stress que esteve na origem de um parto prematuro. Não se pode estabelecer essa relação assim. Mas claro que é um risco. O mesmo se pode dizer em relação à poluição”, defendeu.

[…]

Mas, na verdade, não há muito que a futura mãe possa controlar ou fazer, além de ter os cuidados que sempre se aconselham. “Não depende muito da mãe. Esta tem que ter uma vida com uma nutrição adequada, sem hábitos nocivos como o tabaco ou o álcool e alguma calma”, avançou Hercília Guimarães. Por outro lado, “é conveniente que a gravidez seja desejada e vigiada clinicamente”, avisou.

Um risco mas também uma causa da prematuridade é a Procriação Medicamente Assistida. “Durante um tempo implantavam-se vários embriões, para que a probabilidade de uma gravidez vingar fosse maior. O que sucedia era que, mesmo vingando durante a gravidez, os bebés nasciam prematuros e morriam depois porque eram mesmo muito prematuros”, relatou aquela especialista.

[…]  As probabilidades de se salvarem estes pequeninos aumentaram bastante, mas para os pais que têm o seu bebé dentro de uma incubadora, ligado a máquinas e com tubos por tudo quanto é lado, a realidade fica assustadora. “Nunca ninguém está preparado para ter um bebé prematuro”, confirmou a médica Paula Fernandes.

[…] Regra geral, face à notícia, o casal fica mais unido. “Ficam mais unidos e percebo que, hoje em dia, tanto as mães como os pais são muito presentes. Há muitos anos, as mães vinham, os pais nem por isso. Hoje, isso mudou”, congratulou-se.

E a presença de ambos os pais perto da incubadora “é fundamental”, concluiu.»

Fonte: “Muito pequeninos mas sobreviventes”, Leonor Paiva Watson, Jornal de Notícias, 19-04-2009.

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