O cérebro do bebé: o mundo a seus pés

Como é que é ser-se um bebé? Durante séculos esta questão soaria absurda: atrás daquela adorável face estava simplesmente uma cabeça vazia. Um bebé, afinal, não tem a maioria das especificidades que definem a mente humana, tais como a linguagem e a capacidade de raciocínio. […] Pensar como um bebé é não pensar de todo.

A ciência moderna tem acompanhado genericamente esta visão, enumerando todas as coisas que os bebés não poderiam fazer porque os seus cérebros ainda não estavam suficientemente desenvolvidos.

Presentemente, contudo, os cientistas começaram a rever radicalmente a sua concepção da mente do bebé. Utilizando novas técnicas de investigação e novas ferramentas, revelaram que o cérebro de um bebé fervilha de actividade, é capaz de aprender quantidades impressionantes de informação num período relativamente curto. Ao contrário da mente de um adulto, que se restringe a uma pequena parcela da realidade, os bebés conseguem apreender um espectro muito maior de sensações – eles estão, em grande medida, mais despertos para o mundo do que nós estamos.

De acordo com Alison Gopnik, uma psicóloga da Universidade da Califórnia, Berkeley, e autora do livro no prelo “The Philosophical Baby”, “Nós tivemos esta visão muito enganadora dos bebés. O cérebro do bebé está perfeitamente desenhado para aquilo que necessita de fazer, que é aprender sobre o mundo que o rodei. Há momentos em que ter um cérebro completamente desenvolvido pode quase parecer um impedimento.”

Adaptado de: Jonah Lehrer, “Inside the baby mind”, THE BOSTON GLOBE, 26 de Abril de 2009

Portugal e a (in)segurança infantil

«Portugal é dos piores países europeus em segurança infantil e só em 2005 registaram-se 197 mortes acidentais no nosso País. Um relatório europeu que analisou 24 países e que foi ontem divulgado coloca os portugueses no penúltimo lugar, apenas à frente dos gregos.

Os pontos mais críticos do ponto de vista da prevenção são as quedas, afogamentos e queimaduras. Ainda assim, os acidentes rodoviários continuam a ser os responsáveis pelo maior número de mortes acidentais.

O ranking foi conhecido no dia em que arrancou o primeiro Plano de Acção para a Segurança Infantil (PASI) que estava previsto desde 2007, mas que só agora recebeu apoio estatal para avançar. O Alto Comissariado da Saúde assume assim a sua coordenação oficial.

Além de apontar os pontos fracos […] a Aliança Europeia de Segurança Infantil (AESI) dá sugestões. Uma delas é a publicação imediata do “novo Regime Geral para Edificações, que já prevê na sua versão final de Janeiro de 2007, a alteração das regras de construção de forma a reduzir o risco de queda de crianças de janelas, varandas e escadas”. Outra forma de evitar as quedas que em 2006 provocaram seis mortes acidentais é estabelecer regulamentos para a construção de barreiras para as escadas. […]»

Fonte: DN, 7/05/2009