Le conflit, la femme et la mère – a maternidade naturalmente controversa

«Para a filósofa e feminista francesa Elisabeth Badinter, "uma revolução silenciosa" instalou-se nos últimos anos em França depois da revolução feminista dos anos 1960. O resultado é um retrocesso ideológico relativamente ao papel das mulheres, com "um regresso ao naturalismo" na maternidade e a "culpabilização das mães", pressionadas a amamentar os filhos, a abdicar da carreira, a serem uma espécie de "supermães".

O livro "Le conflit, la femme et la mère" (Flammarion) saiu há uma semana em França, está no topo das listas de vendas e tem dominado o debate, envolvendo políticos e intelectuais, feministas e não feministas, mulheres e mães que, nos blogues ou na imprensa, dizem ser a favor ou contra as ideias do livro.
Umas identificam-se plenamente com o alerta lançado por Elisabeth Badinter e dizem ter finalmente encontrado alguém que as compreende; concordam com o princípio de que a sociedade impõe um modelo de maternidade que as faz esquecerem-se de si próprias, do seu corpo, do seu trabalho, da sua sexualidade, e reconhecem a pressão subjacente ao facto de que a identidade feminina se afirma através da maternidade. Outras refutam a ideia de que amamentar e ser uma mãe presente e disponível para os filhos representa um castigo ou uma tirania, como defende a autora.
Estando ou não de acordo, a análise de Badinter é "absolutamente crucial, uma reflexão que não tem sido feita, um grito de alerta muito importante neste momento", disse ao [Público] Ana Cristina Santos, socióloga especializada em Estudos do Género e investigadora no Birbeck Institute for Social Research de Londres.
[…] "Não podemos assumir escolhas pelas pessoas. Essa ênfase no direito à escolha e à autodeterminação individual é a herança comum dos movimentos feministas", frisa.
Em Portugal, especifica, este regresso ao naturalismo não se verifica de forma tão contundente, embora "haja pressão para as mães amamentarem". Muito importante para esse debate sobre os benefícios da amamentação tem sido a posição da comunidade médica e científica – agora diz que o leite materno é melhor para os bebés, mas nos anos 1960 e 1970 dizia que era o leite em pó. […]

Ana Cristina Santos reconhece, como Elisabeth Badinter, que "existe um discurso conservador que tem de ser desafiado". Mas modera a questão, apontando um ponto de vista diferente: "O discurso da mulher como mãe também tem uma componente emancipatória porque tem significado direitos adquiridos [como a licença de maternidade] e tem representado reconhecimento social para as mulheres".»

 

Fonte: Público, 22.02.2010 – 09:32 Por Ana Dias Cordeiro

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