A moralidade dos bebés

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Num artigo publicado no New York Times Magazine (em 9/5/2010), Paul Bloom tem uma longa e interessante descrição do estudo que fez, em conjunto com Kiley Hamlin, sobre a “moralidade dos bebés”.

Paul Bloom afirma que “um corpo crescente de evidência sugere que os seres humanos têm um sentido moral rudimentar desde o início da vida”, pois que, com “a ajuda de experiências bem elaboradas, podemos ver vislumbres do pensamento moral, do juízo moral e do sentimento moral, mesmo no primeiro ano de vida”.

Alguns trechos do artigo:

«Por que é que alguém iria sequer pensar nos bebés como seres morais? De Sigmund Freud a Jean Piaget a Lawrence Kohlberg, os psicólogos têm sustentado que começamos a vida como animais amorais. Uma importante tarefa da sociedade, especialmente dos pais, é transformar os bebés em seres civilizados – criaturas sociais capazes de ter empatia, culpa e vergonha; que podem ultrapassar impulsos egoístas, em nome de princípios superiores; que irão responder com indignação à injustiça e à iniquidade. Muitos pais e educadores endossariam uma visão dos bebés e das crianças pequenas próxima da de um título recente da [revista satírica] Onion: "Novo estudo revela que a maioria de crianças são sociopatas impenitentes." Se as crianças entram no mundo já equipadas com noções morais, porque é que temos de trabalhar tão afincadamente para as humanizar? "»

A conclusão do artigo é a seguinte:

«A moral é […] uma síntese do biológico e do cultural, do inato, do descoberto e do inventado. Os bebés possuem certas bases morais – a capacidade e a vontade de julgar as acções dos outros, um certo sentido de justiça, respostas intuitivas ao altruísmo e à maldade. Independentemente do nosso nível de inteligência, se não tivermos começado com esta equipagem básica, não seriamos nada mais do que agentes amorais, impulsionados impiedosamente a prosseguir os nossos interesses egoístas. Mas as nossas capacidades como bebés são extremamente limitadas. São os “insights” de indivíduos racionais que tornam uma moralidade verdadeiramente universal e desinteressada algo a que a nossa espécie pode aspirar.»

Pode ouvir uma entrevista da WNYC 93.9 FM (uma rádio pública de Nova Iorque) ao professor Paul Bloom (discípulo de Steven Pinker que trabalha no Infant Cognition Center de Yale) onde este explica e descreve a sua pesquisa que mostra, em seu entender, que os bebés são de facto capazes de compreender a moralidade:

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