A visão do recém-nascido

Apesar de os recém-nascidos terem tendência a manter os olhos fechados a maior parte do tempo, eles podem ver, reagir a mudanças de iluminação e fixar pontos de contraste. Como são muito sensíveis à luz brilhante, as pupilas estão contraídas (pequenas) para limitar a quantidade de luz que entra nos seus olhos.

A acuidade visual no recém-nascido de termo é próxima de 20/150 e alcança o nível do adulto, 20/20, cerca dos três anos de idade.

Uma das respostas mais precoces a estímulos visuais é o reconhecimento da face materna, especialmente durante a amamentação.

O bebé nasce com visão periférica (capacidade de ver para os lados) e gradualmente adquire a capacidade de focar um ponto próximo, dentro do campo visual; gosta de olhar para objectos a cerca de 20 – 30 cm de distância, em frente dele.

Muitos recém-nascidos podem ter coordenação imperfeita dos movimentos oculares e do alinhamento dos olhos nos primeiros dias ou semanas, devendo a coordenação correcta ser alcançada até cerca dos 3 meses. O desvio persistente de um dos olhos requer avaliação por oftalmologia.

A íris do recém-nascido vai sofrendo mudanças progressivas na cor, com aumento da pigmentação, nos primeiros seis meses de vida.

Não há lágrimas com o choro até aos 1-3 meses.

Às duas semanas as pupilas começam a dilatar, permitindo ver uma maior quantidade de formas de luz e escuro.

Quanto maior for o contraste de um objecto maior será a captação da sua atenção. Assim, o bebé estará mais atento às figuras brancas / pretas: faixas fortemente contrastantes, padrões axadrezados e muito em especial à face da mãe.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

Febre – medicação

Medicação

A febre só deverá ser tratada se a criança estiver desconfortável ou tiver história de crises convulsivas.

Há vários medicamentos que podem reduzir a temperatura corporal por bloqueio dos mecanismos que causam a febre, chamados antipiréticos, como: paracetamol, ibuprofeno e aspirina. Esta não deve ser usada apenas para baixar a temperatura.

O ibuprofeno pode ser usado em crianças a partir dos seis meses de idade, se não houver desidratação ou vómitos intensos. A dose destes medicamentos deve ser de acordo com o peso da criança e sempre com o conselho do pediatra.

 

Banho tépido

Na maior parte dos casos a medicação com paracetamol e ou ibuprofeno é o processo mais adequado para tornar mais confortável a criança febril. No entanto se a febre persistir ou tiver vómitos intensos que impeçam o tratamento oral, poder-se-á combinar com um banho tépido ou refrescar o bebé com compressas de água morna.

– Colocar a criança em banheira com água tépida – 32,5 º C. Se não tiver termómetro usar as costas da mão ou pulso – deve-se sentir a água ligeiramente quente;

– Não usar água fria que pode causar arrepios e aumentar a temperatura;

– Sentar a criança na água e deitar pequenas quantidades de água no tronco, braços e pernas. Ao evaporar a água a pele arrefece;

– Idealmente o quarto deverá estar a 23º C.

 

Sugestões para febre ligeira

  1. Manter a criança em quarto confortavelmente fresco e vestida ligeiramente;

  2. Encorajá-la a beber líquidos – água, sumo diluído de frutos ou soluções electrolíticas orais;

  3. Colocar ventoinha se o quarto estiver quente e abafado;

  4. A criança com febre pode deambular pela casa, sem correr;

Afastar a criança febril de outras crianças ou pessoas idosas se a febre for devida a doença contagiosa.
Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

A febre – quando chamar o pediatra

  1. Bebé com menos de dois meses de idade e temperatura de 38 º C ou mais;

  2. Bebé entre três e seis meses de idade com temperatura de 38,5 º C ou mais;

  3. Bebé com mais de seis meses de idade e temperatura de 39,5 º C ou mais (esta temperatura pode indicar infecção grave ou desidratação que requeira tratamento);

Nestas duas ultimas situações a decisão de chamar o pediatra deverá depender da presença de sintomas associados, como: dor de garganta, dor de ouvidos, tosse, rash cutâneo (manchas na pele), vómitos, diarreia.

  1. Criança inquieta ou mais sonolenta que o habitual – o nível da actividade da criança tende a ser um indicador mais importante do que o valor da febre;

  2. Se a criança tiver mais de um ano de idade, se comer e dormir bem, com momentos de boa disposição não será necessário ir ao médico imediatamente, a não ser que a temperatura persista por mais de 24 horas;

  3. Se a criança tiver delírios (ver objectos que não existam ou falar de maneira estranha);

  4. Golpe de calor – criança excitada e tenha estado em ambiente muito quente;

  5. Convulsão febril;

  6. Criança com doença crónica e temperatura de 38 º C.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

Golpe de calor

Uma situação rara mas séria, que se pode confundir com febre é o chamado golpe de calor – que não é causado por doença mas por excesso de calor ambiente, como;

– Praia muito quente;

– Carro fechado e muito aquecido no verão;

– Bebé muito agasalhado com tempo quente e húmido.

Nestas circunstâncias a temperatura corporal pode aumentar a níveis perigosos, cerca de 40,5 º C.

Como actuar:

-Retirar a criança para lugar fresco;

-Colocá-la próximo de uma ventoinha;

-Molhar o corpo com esponja embebida em água fria;

-Depois de arrefecida a criança deve ser levada de imediato a um serviço de urgência.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

Convulsão febril

Entre os seis meses e os quatro anos a febre pode desencadear convulsões febris que normalmente surgem nas primeiras horas da doença. A criança adquire um aspecto peculiar: fica tensa, contorce-se, revira os olhos, perde a consciência por alguns momentos e a pele torna-se cianosada (um pouco mais escura) durante o episódio.

Uma convulsão completa normalmente demora menos de um minuto podendo, raramente, demorar até quinze minutos; termina em alguns segundos, parecendo no entanto uma eternidade a pais assustados.

Convém saber que as convulsões febris são quase sempre inofensivas, isto é, não causam lesões cerebrais, paralisias ou atraso mental. Devem ser referenciadas, de imediato, ao serviço de urgência. Raramente acontece mais do que uma vez em 24 horas.

Como actuar:

-Colocar o doente no chão ou cama longe de objectos duros ou pontiagudos.

-Virar a cabeça de lado para a saliva ou vómito sair livremente.

-Não colocar nada na boca (a língua não cai para trás).

-Chamar a ambulância ou levar de imediato ao serviço de urgência.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

Como medir a temperatura num bebé

Não se aconselha os termómetros de mercúrio pelo risco de partirem, podendo o mercúrio vaporizar e ser inalado a níveis tóxicos.

Os termómetros indicados são os digitais e os auriculares. Os digitais podem medir a temperatura na boca, recto e axila; deve-se confirmar que o termómetro está calibrado. Nos auriculares a exactidão da leitura vai depender da capacidade do sinal emitido pelo aparelho atingir o tímpano. Assim a presença de cerúmen vai dificultar. Por este motivo estes termómetros podem não ser seguros.

A melhor maneira de medir a temperatura numa criança até aos três anos é tirar a temperatura rectal com termómetro digital. Dever-se-á repetir a medição da temperatura passados trinta minutos, se acharmos que está muito elevada ou a criança esteve muito activa ou vestida com roupa demasiado quente.

Numa criança com mais de três anos a temperatura deve ser medida na axila.

Uma criança com quatro ou cinco anos colabora com a medição oral da temperatura (este procedimento é pouco usual entre nós). Deve-se esperar pelo menos quinze minutos após a criança ter tomado uma bebida quente ou fria antes de medir a temperatura.

A temperatura auricular pode ser medida em crianças de qualquer idade.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

A febre

A temperatura da criança normal varia com a idade, a actividade e a hora do dia. Os lactentes tendem a ter uma temperatura mais alta do que as crianças mais velhas. É mais alta no fim do dia e mais baixa entre a meia-noite e a manhã cedo.

Considera-se normal uma temperatura rectal até 37,8 º Celsius ou oral e axilar até 37,2 º C; acima destes valores indica febre.

Por si só a febre não é doença, mas um sinal positivo de reacção do organismo contra uma infecção ou inflamação. A febre vai estimular certas defesas como a produção de leucócitos (células sanguíneas brancas) que atacam e destroem os microrganismos invasores. Contudo a febre pode tornar-se desconfortável, aumentando a frequência cardíaca e respiratória e a necessidade de líquidos. Normalmente acompanha doenças respiratórias como pneumonias, otites, gripes, amigdalites e ainda infecções intestinais, urinárias e grande parte de doenças víricas.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

A refeição do bebé

O crescimento e o desenvolvimento tão acelerados no lactente exigem um aporte energético muito maior do que em idades posteriores. No entanto, a labilidade metabólica e a imaturidade dos fermentos digestivos do lactente levam a que se inicie a alimentação diversificada nunca antes dos quatro meses e, se possível, depois dos cinco seis meses, principalmente se estiver a ser alimentado ao seio materno.

A introdução de novos alimentos deve ser gradual e suave, respeitando o comportamento do bebé e nunca o forçando a comer.

O regime deve ser equilibrado quanto ao valor calórico e aos nutrientes essenciais: água, proteínas, gorduras, hidratos de carbono, vitaminas, minerais e fibras alimentares.

Deve ter-se sempre presente a eventual capacidade alergizante de cada alimento; nunca introduzir dois ou mais alimentos simultaneamente e espaçando de três, quatro dias, cada novo alimento.

A iniciação de alimentos com sabores e consistências novas, sem o estímulo do seio ou da tetina, pode desencadear reacções de recusa, não se devendo forçar mas insistir com energia carinhosa.

Deve estabelecer-se um horário adequado com três a quatro horas de intervalo. O calendário da introdução de novos alimentos é apenas um quadro de referência, podendo haver variações apreciáveis, dependentes da realidade sociocultural do meio e dos hábitos alimentares da família.

Assim dever-se-á iniciar pela papa de cereais sem glúten aos quatro meses; papa de fruta aos cinco meses; creme de legumes que inclua cenoura, abóbora, batata, beterraba, espargos, hortaliças, de uma forma gradual, cozidas em água e um pouco de azeite aos seis meses; puré de legumes com carne branca aos sete meses; gema de ovo aos nove meses; peixe e iogurte, de preferência natural, aos dez meses; as leguminosas depois de bem demolhadas serão introduzidas depois dos onze meses assim como o arroz e a massa.

É importante que o bebé adquira o hábito da refeição: deve estar sentado tomando pequenas quantidades de alimento pela colher e esperando entre as colheradas. Esta experiência, iniciada precocemente, ajudará à criação de um bom hábito alimentar para toda a vida.

Deverá falar-se com o bebé enquanto come.

No início e, se o bebé estiver muito esfomeado, poderá iniciar-se a refeição com um pouco de leite (seio ou artificial) e só depois introduzir o alimento sólido com a colher, o que vai prevenir a frustração quando está esfomeado e associar a satisfação da amamentação com a nova experiência da alimentação com a colher.

A colher e o alimento espesso são uma das etapas da integração da criança nos hábitos alimentares da família e da sociedade.

Por volta dos oito, nove meses, quando a capacidade de o bebé usar as suas mãos melhorou podemos dar-lhe uma colher para a sua própria mão para se treinar a alimentar sozinho. Devemos deixá-lo brincar com a colher enquanto lhe vamos dando a refeição. No início a quase totalidade do alimento irá cair ao chão; devemos resistir à tentação de lhe retirar a colher.

Normalmente só por volta de um ano de idade irá conseguir levar a colher à boca com alguma eficácia.

A refeição do bebe deverá ser dada previamente e só depois poderá sentar-se à mesa com o resto da família, dando-lhe para a mão pequenas quantidades de alimento como tosta ou biscoito.

Depois de suficientemente treinado a alimentar-se sozinho, deverá começar a beber pelo copo. Inicialmente o copo deverá ser inquebrável, com duas asas para poder agarrar com as duas mãos, com tampa ajustável e com bico.

Há vantagens em beber pelo copo: melhora a coordenação do movimento mão / boca e inicia o processo do desmame.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

A chupeta – conselhos

  •     A chupeta deve ser formada por uma peça única com tetina suave, resistente à máquina de lavar louça e à fervura em água;
  •    A distância entre a extremidade da tetina e o anel, deve ser superior a 3,8 cm, para que o bebé não consiga introduzir a totalidade da chupeta na boca;
  • Não se deve usar a tetina do biberão como chupeta;
  • O anel deve ser de plástico firme com buracos de arejamento;
  • Não pendurar a chupeta ao pescoço pelo risco de estrangulamento;
  • Inspeccionar periodicamente o estado da chupeta: se a borracha começar a ficar mole ou descorada deverá ser substituída.

Fonte: Fichas Bebé Confort

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)

A chupeta

Há pais com grandes rejeições ao uso da chupeta; uns, porque se ofendem com a noção de acalmar o bebé com um objecto; outros, porque acreditam, embora incorrectamente, que a chupeta pode prejudicar.

O uso da chupeta não causa nenhum problema médico ou psicológico.

A chupeta é uma maneira de satisfazer as necessidades de sucção para além da amamentação. Não é para substituir ou atrasar as refeições.

Chupar no dedo ou usar a chupeta são padrões saudáveis de auto-controlo. O feto já chupa no polegar e o recém-nascido já tem o reflexo de mão/boca. Quando está perturbado ou a tentar sossegar, procura fazer isto como uma maneira de se controlar a si próprio. Este padrão parece ser inato e os bebés que o utilizam parecem ter uma convivência mais fácil.

No entanto, nas primeiras semanas de vida e, até que a amamentação ao peito esteja bem estabelecida, deve-se evitar dar biberão ou chupeta porque há bebés muito sensíveis à diferença da sucção pelo mamilo e pela tetina ou chupeta. Estes bebés podem simplesmente morder ou mastigar o mamilo em vez de usar a língua. Se neste período de tempo o bebé parecer necessitar de mais sucção, deve oferecer-se novamente o peito ou então auxiliá-lo a encontrar as suas próprias mãos.

Devemo-nos lembrar que a chupeta é para benefício do bebé e não para nossa conveniência; por isso devemos deixar o bebé decidir se e quando deve usá-la.

Nas crianças carentes e que estão quase sempre a sugar, a chupeta poderá prejudicar a dentição deformando a arcada dentária; o mesmo irá acontecer se chupar no dedo insistentemente depois dos 5 – 6 anos de idade.

Sabe-se no entanto que é a pressão da língua que deforma os dentes superiores, daí que a razão mais importante para a necessidade de endireitar os dentes seja, provavelmente, uma tendência genética.

Desde muito cedo as crianças começam a viver num mundo de tensões e é natural que procurem algum tipo de auto conforto como uma maneira de vencer essas tensões.

Nas viagens de avião, principalmente na subida e na aterragem, o desconforto e a dor causados no ouvido médio pelas diferenças de pressão, podem ser aliviadas pela sucção, pelo biberão ou chupeta.

Até aos 6 meses e devido à imaturidade do sistema imunológico, deve-se esterilizar com frequência as chupetas para não aumentar o risco de infecção por esta via. Depois desta idade a probabilidade de contrair infecção por este meio é muito pequena, bastando lavar a chupeta com detergente e passá-la por água corrente.

Há essencialmente dois tamanhos – um até aos 6 meses e outro a partir desta idade. Há várias formas de tetina desde a anatómica – ortodôntica até à arredondada.

Depois de escolher a forma de chupeta que o bebé prefere, deve-se comprar várias pelo risco de se sujarem e se perderem com facilidade.

Fonte: Fichas Bebé Confort.

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)