Entradas com o tema 'Nomes de bebés'
O que se segue é um pequeno contributo do blog da Bébé Confort Coimbra para aquilo que se convencionou chamar no mundo editorial a “silly season” - uma época estival caracterizada por notícias que não aquecem nem arrefecem.
Segundo Homer Adkins “a investigação fundamental é como disparar uma seta para o ar e, onde esta aterrar, pintar um alvo…” Decidimos também nós fazer uma investigação profunda da relação entre os nomes dos atletas portugueses e a capacidade de alcançarem as tão desejadas medalhas olímpicas. Em resumo poder-se-ia dizer que esta análise rigorosa é um cruzamento ousado entre a antroponímia, a medalhística e o olimpismo…
A questão essencial a responder é a de saber qual será o nome mais medalhável. Munidos dos nomes dos atletas portugueses que já ganharam medalhas olímpicas fazemos uma projecção para o futuro e ajudamos os pais a escolher nomes para bebé que já tiveram medalhas. O fundamento da projecção é a hipótese do aforismo “a história repete-se” se repetir de facto.
Assim sendo, constatamos que os dois nomes com mais hipóteses de ganhar medalhas são José e Luís (três medalhas olímpicas cada um). A seguir, com duas medalhas cada, temos Nuno, António, Francisco, Fernando e Mário. Curiosamente nem João, nem Carlos conseguiram ter mais do que uma medalha olímpica, embora que a do Carlos fosse de ouro!
Se se tratar de uma menina as opções são mais restritas - Rosa, Fernanda ou Vanessa. Mas as probabilidade de ganhar uma medalha de ouro (Rosa e Fernanda) ou de prata (Vanessa) são maiores. Aparentemente para as mulheres portuguesas - bronze só na praia.
Portanto, se o seu alvo é ter um filho com uma medalha olímpica daqui a vinte, vinte e quatro ou vinte e oito anos, baptize-o José ou Luís. Se se tratar de uma menina, o nosso estudo indica duas opções a tomar: ou a baptiza Rosa, Fernanda ou Vanessa, ou então escolhe um outro nome, pois até ao momento nenhum nome se repetiu.
Quanto às modalidades que o seu filho deverá praticar não há muitas dúvidas: ponha o seu filho a correr o mais cedo possível! O atletismo já trouxe oito medalhas para Portugal. Se viver na costa a vela também é uma boa hipótese (quatro medalhas), ou não fosse Portugal um país de navegadores. A equitação leva o bronze com apenas três medalhas. Outras modalidades como o tiro, por exemplo, só tiveram uma medalha.
Depois de termos pintado o alvo e termos atirado as setas para o ar, só nos resta desejar-vos boa sorte!
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Temas: atletas olímpicos · atletas portugueses · atletismo · baptismo · Carlos Lopes · equitação · estatística · Fernanda Ribeiro · Homer Adkins · investigação fundamental · Jogos olímpicos de Pequim · medalhas olímpicas · mulheres portuguesas · nomes de meninas · nomes de meninos · probabilidade · Rosa Mota · Vanessa Fernandes · vela
«”O conhecimento dos nomes não é negócio de importância somenos,” disse Sócrates. Nos nossos nomes está imersa a história de cada um mas essa história alarga-se, em círculos, muito para além de nós mesmos. É que “nomear também é acção”: apelando e sendo apelado, a pessoa torna-se um ser auto-identificado responsabilizável.
Esta recolha de ensaios sobre os nomes em português dedica-se a explorar a ética dos nomes, isto é, o encadeamento afectivo que subjaz ao reconhecimento identitário das pessoas. Como é que o nome atribui ligações básicas às pessoas (através da perfilhação)? Como é que o nome faz família? Como é que o nome estabelece género? Como é que o uso do nome remete para a identidade étnica (raça, etnicidade, etc.)? Como é que o nome veicula imagens dominantes sobre o valor da pessoa (consumo mediático, etc.)? Como é que o anonimato pode ser um factor de subalternidade ou mesmo, de repente, um factor terapêutico? As especificidades da tradição nominativa lusófona, que a demarcam de outras, não tinham recebido a atenção que merecem. Este livro abre novas perspectivas teóricas no estudo da pessoa mas também revela a importância que os nomes têm nas mais diversas áreas do comportamento sociocultural.»
Fonte: Editora Almedina
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Temas: anonimato · género · história · importância dos nomes · nomes · perfilhação · Sócrates · tradição nominativa lusófona
Os portugueses dão muita importância aos apelidos de famílias tradicionais, gostam de os usar, mas arriscam pouco quando decidem os nomes dos filhos, ao contrário dos brasileiros, para quem o diferente é que é «chique»
Esta é uma das conclusões do livro “Nomes: Géneros, Etnicidade e Família”, dos antropólogos João de Pina Cabral e Susana Viegas, que vai ser lançado na quarta-feira, em Lisboa.
«As famílias em Portugal têm muito poucos nomes próprios. Repetem os nomes que são dos antepassados mais importantes e a certa altura os primos têm todos os mesmos nomes. Depois vão dando alcunhas uns aos outros para se diferenciarem» , disse o antropólogo João de Pina Cabral.
Outro fenómeno que se verifica é que quem tem um apelido «sonante», mesmo que não seja o último nome, faz questão em o usar.
De acordo com o antropólogo, mesmo não sendo proveniente de uma família tradicional, o português comum «não gosta de ter nomes diferentes», ao contrário dos brasileiros, para quem «quanto mais diferente melhor».
Madeinusa, a Usnavy e Jáfalei são alguns dos exemplos dados por João de Pina Cabral, que garante que os brasileiros dão-se bem com esses nomes e até conseguem rir-se deles.
«Usam os nomes de maneira a fazer piadas» , disse o antropólogo, acrescentando que também no Brasil, nomeadamente em São Paulo, os apelidos têm muita importância, especialmente se forem italianos.
De realçar ainda o facto de ser muito comum entre os brasileiros dar aos rapazes o nome do pai, seguido de filho ou júnior, inclusivamente aos filhos nascidos fora do casamento.
Relativamente aos outros países lusófonos, João de Pina Cabral destaca que em Timor-Leste estão a ser dados muitos nomes portugueses, mas não fazem uma distinção entre os nomes próprios e os apelidos.
«Essa é uma tradição europeia. Em Timor-Leste não há a tradição de os membros de uma família usarem todos o mesmo apelido» , disse.
Em Moçambique, a maioria dos habitantes tinham nomes indígenas, mas começaram recentemente a adoptar nomes portugueses.
[…]No entanto, o antropólogo adiantou que, em Angola, a elite de Luanda também dá muita importância aos apelidos de família.
O livro Nomes: Géneros, Etnicidade e Família é uma «primeira abordagem à questão de como os nomes marcam as pessoas» […]
Fonte: Universia (Ênfase nosso)
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Temas: alcunhas · Angola · antropologia · apelidos · Brasil · família · João de Pina Cabral · Moçambique · Nomes Géneros Etnicidade e Família · nomes portugueses · nomes próprios · países lusófonos · Susana Viegas · Timor-Leste

Um estudo patrocinado pelo banco Abbey (do Grupo Santander) indica que a maioria dos pais ingleses (70%) crêem que a escolha de um nome adequado para os seus filhos poderá ajudá-los no futuro. Um factor decisivo na escolha, para 32% dos inquiridos, é o sentimento de confiança que o nome poderá representar para os seus filhos.
A importância atribuída à escolha do nome “certo” poderá explicar o facto de os pais ingleses passarem em média 45 horas para escolher o nome dos seus filhos.
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Temas: inglaterra · Nomes de bebés
Encontrar o nome certo não é tarefa fácil. Muitas vezes procura-se um nome consensual que agrade a toda a família mas rapidamente se descobre que um tio-avô já tinha esse mesmo nome e… Tem de se recomeçar do zero, pois o outro ramo da família também quer ter voto na matéria.
Mas os nomes que se dão aos bebés vão-se alterando e se há ciclos em que se retorna a nomes clássicos e até em desuso em gerações anteriores, também é verdade que cada vez mais se dá azo à criatividade e vão surgindo novos nomes, impensáveis há alguns anos atrás.
Vem isto a propósito do artigo de hoje do “colunista conservador” do New York Times David Brooks: “Goodbye, George and John”. David Brooks elogia o blog de Laura Wattenberg - The Baby Name Wizard - e descreve algumas das curiosidades do universo da “nomerologia” (nos E.U.A.):
- Indivíduos com o nome Louis têm uma probabilidade maior de viver em St. Louis;
- Em 1880 apenas 10 nomes – William, John, Mary, George, etc. – representavam 20 por cento de todos os bebés. Actualmente esses mesmos nomes representam apenas dois por cento de todos os bebés dos E.U.A.
- Em 1880 a maioria dos nomes de rapazes acabava em E, N, D e S. Em 2006 uma larguíssima percentagem de nomes de rapazes terminava na letra N.
- No final do séc. XIX os nomes dos bebés reflectiam, por vezes, posições ou profissões de prestígio – King, Lawyer, Author e Admiral. Actualmente as crianças terão mais provavelmente nomes de profissões obsoletas, tais como: Cooper (tanoeiro), Carter (carreteiro) ou Mason (pedreiro).
- Há também um retorno a formas antigas de nomes (William em vez de Bill) e a nomes que tenham uma patine de antiguidade (Hannah, Abigail, Madeline, Caleb and Oliver).
- Cada vez mais a presença de diferentes origens culturais é mais notória e o núcleo outrora todo-poderoso de nomes de raiz anglo-saxónica tende a desvanecer-se.
Em Portugal é mais difícil avaliar as tendências, porque os registos são feitos a nível local e não há um levantamento dos nomes próprios mais escolhidos pelos portugueses. Notam-se algumas alterações induzidas pelos recentes fluxos migratórios e algumas modas associadas a fenómenos televisivos e a figuras do desporto ou do espectáculo. Contudo, a criatividade em Portugal é, em grande medida, coarctada pela existência de listas de vocábulos admitidos ou não admitidos como nomes próprios (à semelhança do que se passa na Dinamarca, França e Alemanha).
Em Portugal a filha de Frank Zappa nunca poderia ter sido registada como Moon Unit, nem a filha de Bob Geldof como Fifi Trixibelle e muito menos simplesmente Apple, como a filha de Gwyneth Paltrow.
Em Portugal o processo de atribuição de nome próprio é regulado principalmente pelo artigo 103.º do Código do Registo Civil. Entre outras condições, refira-se que “o nome completo deve compor-se, no máximo, de seis vocábulos gramaticais, simples ou compostos, dos quais só dois podem corresponder ao nome próprio e quatro a apelido”. Se estava a pensar em registar o seu bebé com um nome majestosamente quilométrico, desengane-se.
Vale a pena citar um artigo de Leonel Moura no Jornal de Negócios: “Mas que mal tem eu dar um nome qualquer ao meu filho? Quem pode sentir-se prejudicado com isso? A não ser talvez o próprio, embora isso seja do foro familiar e na verdade quantos serão aqueles que detestam o nome normalizado que lhes foi dado? Cabe na cabeça alguém chamar-se Isaltino?”
Em Portugal, anualmente, apenas chegam à Conservatória de Registos Centrais entre 30 a 40 pedidos de nomes invulgares, o que não é muito expressivo.
Segundo Ivo Castro, professor de Linguística na Universidade de Lisboa : “Nos últimos cinquenta anos (únicos de que há estatísticas), não houve mais de 4.000 reclamações contra a recusa oficial do nome que os pais queriam atribuir aos filhos. Como muitos destes nomes eram gritantemente disparatados, por vezes mesmo desrespeitadores da dignidade da criança a nomear, ficou automaticamente respondida e desautorizada a contestação que os tomou por pretexto.”
A existência destas listas leva todavia a algumas incongruências. A título de exemplo, Nereida (qualquer uma das 50 ninfas dos mares, filhas do deus grego Nereu) não é aceite mas a Direcção-Geral dos Registos e do Notariado aceita, por exemplo, como nomes próprios: Ninfa, Boanerges, Deusdedito, Engelécia, Felicíssimo, Gamaliel, Habacuque, Matusalém, Ocridalina, Parcídio, Torpécia, Ursiciana, Viveque ou Zardilaque.
Por outro lado a existência destas listas protege de facto os bebés de algumas opções mais obtusas. Devido à inexistência de listas, na Venezuela há bebés com nomes tão “bizarros” como Nixon, Estaline, ou mesmo Hitler. O Brasil também é conhecido pela liberdade no registo de nomes. Ivo Castro dá o seguinte exemplo: “ao passo que no Brasil é possível encontrar senhoras chamadas Rosemary, Rosemeire, Rosemere, Rosemery, Rosimeire, Rosimere, Rosimeri, Rozemeire, tudo variantes do mesmo nome inglês, em Portugal todas elas teriam de se chamar Rosa Maria, porque nem Rosamaria poderia ser aceite como nome português.”
Nos E.U.A. o absurdo chega ao ponto de alguns pais darem o nome de um casino aos filhos para assim ganharem algum dinheiro – foi o caso de GoldenPalaceDotCom Silverman, cujos pais ganharam $15,000.
Perante tais desvarios a existência de um técnico em onomástica, na Conservatória dos Registos Centrais, que laboriosamente emite os seus pareceres sobre a admissibilidade de Ovídio e Porciana e a inadmissibilidade de Nereida e Idalécio, parece parcialmente justificada.
Para desfazer dúvidas, as listas de nomes podem ser consultadas na página da Direcção-Geral dos Registos e do Notariado (http//www.dgrn.mj.pt).
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