Para que tanta pressa?

“A alfabetização é como começar a andar: quando vemos um grupo de crianças andando, você não sabe quem andou primeiro. Ler é o mesmo: uns começaram em março, outros em outubro, outros em novembro. Mas quando todos lêem, você não sabe quem leu primeiro!”

Psicopedagoga Renata Aguillar in Crescer: “Quando seu filho vai ler um livro sozinho”

O dia mais popular para se nascer em Portugal

“[…] Entre 1 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2011, nasceram em Portugal 2289 pessoas no dia 15 de Setembro.
No "top 10" dos dias em que nasceram mais portugueses, nove são no mês de Setembro (23, 22, 20, 16, 12, 21, 14 e 18) e apenas um em Dezembro (19). A julgar pelo tempo normal de uma gestação, as pessoas nascidas em Setembro terão sido concebidas na época das festas de final do ano e Natal.

Curiosamente, nos últimos seis anos, foi nesta época que se registaram os dias com menos nascimentos. Entre 1 de Janeiro de 2006 e 31 de Dezembro de 2011 nasceram 1216 pessoas no dia de Natal, 1354 na véspera de Natal e 1433 no primeiro dia do ano.”

Público de 26/02/2012.

O método canguru – da Colômbia à Austrália, passando por Nova Iorque

Tina Rosenberg, no New York Times de 13.12.2010, descreve sumariamente uma solução “simples” e inovadora para cuidar de bebés prematuros – o método canguru.

O método canguru surgiu no hospital San Juan de Dios de Bogotá, Colômbia. Pretendia ser, acima de tudo, uma alternativa à incubadora, uma vez que dada a sua escassez, cada uma tinha mais de um bebé, o que era propício a surtos infecciosos.

Como afirma Tina Rosenberg, nem sempre é com mais dinheiro, mais tecnologia e mais modernidade, que se resolvem os problemas. Neste caso, num hospital com parcos recursos, a solução adoptada foi recorrer às “incubadoras humanas” para  manter a temperatura corporal dos bebés e providenciar-lhes alimento. Seguindo este método, os bebés são colocados em contacto pele-a-pele com a mãe ou o pai, tanto quanto possível, ficando os bebés acolhidos por um cobertor que envolve as suas costas.

Com muitas adaptações aos diferentes ambientes onde é aplicado, o método canguru (“cuidados canguru” ou “técnica de canguru”), é, desde 2003, uma prática recomendada pela OMS. Segundo Rosenberg, a súmula dos estudos realizados sobre esta técnica indicam que “o método canguru é pelo menos tão bom como os tratamentos convencionais – e talvez melhor.” Como a autora indica, não se trata de uma panaceia (até porque tanto os bebés como as mães têm de preencher alguns requisitos), mas de uma solução apoiada em evidências científicas e numa divulgação criteriosa.

Fátima Feliciano, autora do livro “Método Canguru, o prosseguir da vinculação pais-bebé prematuro”, estudou a aplicação do contacto pele-a-pele ou contacto canguru em Portugal, mais especificamente na Maternidade Bissaya Barreto. De acordo com esta autora, ficou confirmada “a conveniência da utilização do [Método Canguru] numa UCIN portuguesa, assim como algumas das componentes envolvidas que o justificam enquanto método que facilita e favorece a relação pais-infante prematuro, durante o internamento na UCIN, promovendo a continuidade de uma vinculação qualitativamente mais desejável.”

Como resume Fátima Feliciano, “o [Método Canguru] é uma sequência de intervenções que apresentam alguma semelhança à actuação maternal da bolsa do mamífero marsupial, o canguru da Austrália”.

Fontes:

Tina Rosenberg, “The Human Incubator”, New York Times, 13.12.2010

Fátima Feliciano, “Método Canguru, o prosseguir da vinculação pais – bebé prematuro”, Editora: Almedina, 2007.

Recuperar a forma depois da gravidez

A Revista Activa publicou um artigo esclarecedor para ajudar as mães a recuperarem a sua silhueta após a gravidez. Deixamos aqui alguns excertos do artigo:

«[…] Ver as ancas, o abdómen, as pernas e os seios, aumentarem quase para o dobro é por vezes difícil de aceitar, principalmente quando somos bombardeadas diariamente com imagens de famosas que acabaram de ser mães e cuja forma física já foi rapidamente recuperada. Na vida real as coisas não são assim tão fáceis. […]

Como lidar com a rotina

[…] Convém ter em mente que, consoante o tipo de parto por que passou – normal ou cesariana -, há um determinado período de descanso a respeitar: três ou seis semanas, respectivamente. E isto aplica-se não só ao regresso de uma actividade física regular, como à iniciação da recuperação pós-parto. […]

Amamentar ajuda a recuperar a forma

[…] Segundo a recomendação da Organização Mundial de Saúde, a prática da amamentação exclusiva durante seis meses, contribui para uma perda de peso por parte da mãe, de forma mais rápida e saudável: cerca de 500g por semana entre a 4.ª e a 14.ª semana pós-parto, o que equivale a uma perda de 5kg. […]

Plano de ataque

[…] Nunca é demais lembrar que a verdadeira recuperação pós-parto só deverá ser feita a partir da terceira semana em caso de parto normal, ou a partir da sexta semana em caso de cesariana. Até essa altura a grávida deverá ir contribuindo com pequenos gestos e comportamentos para que o seu corpo ‘vá ao lugar’ de forma natural, sendo necessárias diversas abordagens não só ao nível dos exercícios, mas também ao nível das dores que se desenvolvem durante a gravidez. […]

Combate aos problemas pós-parto

Os exercícios do períneo pélvico – ou exercícios de Kegel – são extremamente importantes para voltar a ter uma vida normal. Trata-se de uma forma muito simples de, aos poucos, ir trabalhando toda a musculatura da parte vaginal e ânus que estiveram particularmente sobrecarregadas durante a gravidez. As mães poderão ir contraindo estes músculos em curtas sessões de cinco minutos, evitando assim problemas, como a incontinência urinária, que geralmente têm tendência a ocorrer no pós-parto e contribuindo para uma melhoria da circulação sanguínea. […]»

Fonte: Activa, 27/10/2010

O tempo de gestação depende da estrutura da placenta que liga a mãe ao feto

«[…] Uma equipa de investigadores das universidades britânicas de Durham e Reading estudou 109 espécies de mamíferos e descobriu que, apesar de também existirem outros factores envolvidos nesta questão, como a dimensão dos indivíduos das diferentes espécies – quanto maiores são, maior é a tendência para gestações mais longas -, a chave está na estrutura da placenta que liga a mãe ao feto. Quanto mais complexa é a forma da placenta, menos tempo de gestação é necessário para o desenvolvimento dos filhos. A descoberta foi publicada [em 17/11/2010] na revista científica American Naturalist.

[…] As coisas funcionam assim: quanto mais complexa é a estrutura, e quanto mais ligações existem entre a placenta e o novo ser, mais rápido é o período de gestação. […] "Nos seres humanos, a placenta tem uma ramificação simples como se fossem dedos, e as conexões entre os tecidos da mãe e os do feto são limitadas", explica Isabella Capellini [coordenadora da investigação, da Universidade de Durham].»

Fonte: Diário de Notícias, 18/11/2010

Parlamento Europeu aprovou alargamento da licença de maternidade para 20 semanas

«O Parlamento Europeu (PE) aprovou [no] dia 20 de Outubro, a extensão do período de licença de maternidade na União Europeia (UE) para as 20 semanas, pagas a 100%, e o estabelecimento de uma licença de paternidade de, pelo menos, duas semanas. A proposta será agora discutida pelos ministros da UE.

Segundo a informação disponível no site do PE, a proposta inicial da Comissão Europeia previa o pagamento a 100% apenas durante as primeiras seis semanas de licença de maternidade, mas o PE defende agora que seja paga a totalidade do salário às trabalhadoras nas 20 semanas de licença.

Os eurodeputados defendem que o despedimento deve ser proibido desde o início da gravidez até, no mínimo, seis meses após o termo da licença de maternidade. As trabalhadoras não devem ser obrigadas a efectuar trabalhos nocturnos nem horas extraordinárias "durante as 10 semanas anteriores à data prevista para o parto; durante o restante período de gravidez, por questões de saúde; e durante todo o tempo que durar a amamentação".

Sobre a licença de paternidade, o PE defende que os trabalhadores cuja parceira tenha recentemente tido um filho devem ter direito a um período contínuo de licença de paternidade de, pelo menos, duas semanas, a gozar após o parto e durante o período de licença de maternidade.

Nos 27 Estados-Membros, a licença pós-parto varia entre as 14 e as 52 semanas e o pagamento da licença é também muito variado, sendo paga a 100% em 13 países. Em Portugal, a licença de maternidade é remunerada a 100% durante 120 dias.»

Fonte: Portal do Cidadão

Nobel da Medicina: Ministra da Saúde salienta o reconhecimento pela área da infância e pela importância do problema da infertilidade

«[…] A ministra da Saúde [Ana Jorge] considerou hoje um "bom sinal" a atribuição do Prémio Nobel da Medicina ao britânico Robert Edwards, pioneiro da fecundação in vitro, pelo reconhecimento da importância da área da infância e do problema da infertilidade.

"É um bom sinal. O Prémio Nobel ser dado a alguém para a área da infância, dos bebés, é sempre um bom sinal, de dedicação e reconhecimento da importância de resolver o problema da infertilidade de muitos casais", afirmou Ana Jorge no final de uma visita à Maternidade Alfredo da Costa no âmbito da semana mundial do aleitamento materno.

A ministra lembrou que o primeiro bebé que nasceu por fertilização in vitro "veio revolucionar e criar condições para que muitos casais pudessem ter filhos". […]»

Fonte: dn.sapo.pt

A moralidade dos bebés

bebes

Num artigo publicado no New York Times Magazine (em 9/5/2010), Paul Bloom tem uma longa e interessante descrição do estudo que fez, em conjunto com Kiley Hamlin, sobre a “moralidade dos bebés”.

Paul Bloom afirma que “um corpo crescente de evidência sugere que os seres humanos têm um sentido moral rudimentar desde o início da vida”, pois que, com “a ajuda de experiências bem elaboradas, podemos ver vislumbres do pensamento moral, do juízo moral e do sentimento moral, mesmo no primeiro ano de vida”.

Alguns trechos do artigo:

«Por que é que alguém iria sequer pensar nos bebés como seres morais? De Sigmund Freud a Jean Piaget a Lawrence Kohlberg, os psicólogos têm sustentado que começamos a vida como animais amorais. Uma importante tarefa da sociedade, especialmente dos pais, é transformar os bebés em seres civilizados – criaturas sociais capazes de ter empatia, culpa e vergonha; que podem ultrapassar impulsos egoístas, em nome de princípios superiores; que irão responder com indignação à injustiça e à iniquidade. Muitos pais e educadores endossariam uma visão dos bebés e das crianças pequenas próxima da de um título recente da [revista satírica] Onion: "Novo estudo revela que a maioria de crianças são sociopatas impenitentes." Se as crianças entram no mundo já equipadas com noções morais, porque é que temos de trabalhar tão afincadamente para as humanizar? "»

A conclusão do artigo é a seguinte:

«A moral é […] uma síntese do biológico e do cultural, do inato, do descoberto e do inventado. Os bebés possuem certas bases morais – a capacidade e a vontade de julgar as acções dos outros, um certo sentido de justiça, respostas intuitivas ao altruísmo e à maldade. Independentemente do nosso nível de inteligência, se não tivermos começado com esta equipagem básica, não seriamos nada mais do que agentes amorais, impulsionados impiedosamente a prosseguir os nossos interesses egoístas. Mas as nossas capacidades como bebés são extremamente limitadas. São os “insights” de indivíduos racionais que tornam uma moralidade verdadeiramente universal e desinteressada algo a que a nossa espécie pode aspirar.»

Pode ouvir uma entrevista da WNYC 93.9 FM (uma rádio pública de Nova Iorque) ao professor Paul Bloom (discípulo de Steven Pinker que trabalha no Infant Cognition Center de Yale) onde este explica e descreve a sua pesquisa que mostra, em seu entender, que os bebés são de facto capazes de compreender a moralidade:

Le conflit, la femme et la mère – a maternidade naturalmente controversa

«Para a filósofa e feminista francesa Elisabeth Badinter, "uma revolução silenciosa" instalou-se nos últimos anos em França depois da revolução feminista dos anos 1960. O resultado é um retrocesso ideológico relativamente ao papel das mulheres, com "um regresso ao naturalismo" na maternidade e a "culpabilização das mães", pressionadas a amamentar os filhos, a abdicar da carreira, a serem uma espécie de "supermães".

O livro "Le conflit, la femme et la mère" (Flammarion) saiu há uma semana em França, está no topo das listas de vendas e tem dominado o debate, envolvendo políticos e intelectuais, feministas e não feministas, mulheres e mães que, nos blogues ou na imprensa, dizem ser a favor ou contra as ideias do livro.
Umas identificam-se plenamente com o alerta lançado por Elisabeth Badinter e dizem ter finalmente encontrado alguém que as compreende; concordam com o princípio de que a sociedade impõe um modelo de maternidade que as faz esquecerem-se de si próprias, do seu corpo, do seu trabalho, da sua sexualidade, e reconhecem a pressão subjacente ao facto de que a identidade feminina se afirma através da maternidade. Outras refutam a ideia de que amamentar e ser uma mãe presente e disponível para os filhos representa um castigo ou uma tirania, como defende a autora.
Estando ou não de acordo, a análise de Badinter é "absolutamente crucial, uma reflexão que não tem sido feita, um grito de alerta muito importante neste momento", disse ao [Público] Ana Cristina Santos, socióloga especializada em Estudos do Género e investigadora no Birbeck Institute for Social Research de Londres.
[…] "Não podemos assumir escolhas pelas pessoas. Essa ênfase no direito à escolha e à autodeterminação individual é a herança comum dos movimentos feministas", frisa.
Em Portugal, especifica, este regresso ao naturalismo não se verifica de forma tão contundente, embora "haja pressão para as mães amamentarem". Muito importante para esse debate sobre os benefícios da amamentação tem sido a posição da comunidade médica e científica – agora diz que o leite materno é melhor para os bebés, mas nos anos 1960 e 1970 dizia que era o leite em pó. […]

Ana Cristina Santos reconhece, como Elisabeth Badinter, que "existe um discurso conservador que tem de ser desafiado". Mas modera a questão, apontando um ponto de vista diferente: "O discurso da mulher como mãe também tem uma componente emancipatória porque tem significado direitos adquiridos [como a licença de maternidade] e tem representado reconhecimento social para as mulheres".»

 

Fonte: Público, 22.02.2010 – 09:32 Por Ana Dias Cordeiro

Pode ler o resto do artigo aqui.

Revistas difundiram novos hábitos no cuidado com bebés e crianças

«A maternidade como é exercida hoje não tem nada de “natural” ou “intuitiva”. Hábitos simples e corriqueiros – como o uso de termómetro, berço individual, quarto arejado, a prática de ferver chupetas e bicos e de dar banhos diários nas crianças – surgiram a partir de 1920. É a chamada maternidade científica, fruto de uma aliança entre mulheres e médicos, forjada nas páginas das revistas ilustradas que proliferavam na época.
[…] Em artigos muitas vezes assinados pelos médicos, as mães eram orientadas a deixar para trás antigas crenças e hábitos – como chazinhos, simpatias e amas de leite. “Antes, as mães sabiam que os filhos cresciam porque a roupa apertava. A febre era verificada com a mão. Tudo isso foi desqualificado e ferramentas científicas passam a ser usadas, como a balança e o termómetro.” »
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.