O método canguru – da Colômbia à Austrália, passando por Nova Iorque

Tina Rosenberg, no New York Times de 13.12.2010, descreve sumariamente uma solução “simples” e inovadora para cuidar de bebés prematuros – o método canguru.

O método canguru surgiu no hospital San Juan de Dios de Bogotá, Colômbia. Pretendia ser, acima de tudo, uma alternativa à incubadora, uma vez que dada a sua escassez, cada uma tinha mais de um bebé, o que era propício a surtos infecciosos.

Como afirma Tina Rosenberg, nem sempre é com mais dinheiro, mais tecnologia e mais modernidade, que se resolvem os problemas. Neste caso, num hospital com parcos recursos, a solução adoptada foi recorrer às “incubadoras humanas” para  manter a temperatura corporal dos bebés e providenciar-lhes alimento. Seguindo este método, os bebés são colocados em contacto pele-a-pele com a mãe ou o pai, tanto quanto possível, ficando os bebés acolhidos por um cobertor que envolve as suas costas.

Com muitas adaptações aos diferentes ambientes onde é aplicado, o método canguru (“cuidados canguru” ou “técnica de canguru”), é, desde 2003, uma prática recomendada pela OMS. Segundo Rosenberg, a súmula dos estudos realizados sobre esta técnica indicam que “o método canguru é pelo menos tão bom como os tratamentos convencionais – e talvez melhor.” Como a autora indica, não se trata de uma panaceia (até porque tanto os bebés como as mães têm de preencher alguns requisitos), mas de uma solução apoiada em evidências científicas e numa divulgação criteriosa.

Fátima Feliciano, autora do livro “Método Canguru, o prosseguir da vinculação pais-bebé prematuro”, estudou a aplicação do contacto pele-a-pele ou contacto canguru em Portugal, mais especificamente na Maternidade Bissaya Barreto. De acordo com esta autora, ficou confirmada “a conveniência da utilização do [Método Canguru] numa UCIN portuguesa, assim como algumas das componentes envolvidas que o justificam enquanto método que facilita e favorece a relação pais-infante prematuro, durante o internamento na UCIN, promovendo a continuidade de uma vinculação qualitativamente mais desejável.”

Como resume Fátima Feliciano, “o [Método Canguru] é uma sequência de intervenções que apresentam alguma semelhança à actuação maternal da bolsa do mamífero marsupial, o canguru da Austrália”.

Fontes:

Tina Rosenberg, “The Human Incubator”, New York Times, 13.12.2010

Fátima Feliciano, “Método Canguru, o prosseguir da vinculação pais – bebé prematuro”, Editora: Almedina, 2007.

Apresentação do livro “Aleitamento Materno” de Bárbara Sousa e Teresa Pacheco

As Edições MinervaCoimbra e as autoras Bárbara Sousa e Teresa Pacheco, assinalando a "Semana Mundial do Aleitamento Materno", vão proceder ao lançamento do livro

“ALEITAMENTO MATERNO, do que se diz ao que se sabe…” (com ilustrações de Luísa Alte da Veiga)

A apresentação será feita pelo Dr. Mário Branco (pediatra).

Haverá também uma actuação do coro infantil CHERUBINNI dirigido pela maestrina Isilda Margarida.

A sessão realiza-se hoje, dia 4 de Outubro, pelas 21H00, na Livraria Minerva, Rua de Macau, 52 (Bº Norton de Matos) em Coimbra.

As autoras, enfermeiras, a trabalhar há 8 anos na Área de Saúde Materna e Obstétrica e Conselheiras em Aleitamento Materno, partilham os seus conhecimentos, baseados na investigação e prática diária (com mães, bebés e familiares), oferecendo conselhos práticos e úteis a quem vivencia a amamentação.

Mãe! – um poema de Almada Negreiros

   Mãe!
   Vem ouvir a minha cabeça contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
   Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
   Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

   Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

   Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

   Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
   Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Poema de Almada Negreiros (1893-1970)

in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim, pág. 1337.

Um imperador curioso e uma tempestade eléctrica fundamental

Por vezes o labor do crítico é conduzido com tal apuro que supera em grandeza o próprio objecto criticado. Não sabemos se é este o caso da crítica que abaixo transcrevemos (parcialmente), porque desconhecemos a obra que deu azo a este texto. O que podemos dizer, sem sombra de dúvida, é que estas palavras valem de per si, sintetizando com maestria, em poucos caracteres, descobertas com oito séculos que se reinventam todos os dias. Um mimo!…

«Há cerca de oitocentos anos, o Sacro Império Romano tinha à frente do seu destino o Imperador Frederico II, um homem curioso, com espírito científico e que emprestou o nome a uma Universidade de Nápoles. Se bem que muito ocupado com estratégias e lutas militares e ideológicas, ainda encontrou tempo para se dedicar à investigação científica. Curioso, quis saber que linguagem adquiriria o ser humano se nunca ouvisse falar. Os métodos da investigação foram simples e claros: retirou das famílias uns quantos recém-nascidos e recomendou que se deveria fornecer-lhes apenas o suporte básico da vida: comer, beber e cuidados mínimos de higiene. De resto nada de mais nada. Que aprendeu? Nada do que esperava: as crianças morreram todas. Um crítico da época concluiu que o trabalho do Imperador foi em vão pois ninguém sobrevive sem mimos.

[…] A interacção genes ambiente é dramática, para bem ou para mal. Tecidos e órgãos podem sofrer irremediáveis modificações (o conceito de plasticidade), conduzindo a morbilidade e mortalidade. O neurónio é particularmente plástico. Ao nascer há 100 mil milhões de neurónios e 50 milhões de milhões de sinapses. Depois o número de neurónios pouco aumenta, ao contrário das sinapses que no fim do primeiro mês aumentaram vinte vezes, sendo então mil milhões de milhões. Pura e simplesmente não há genes em número suficiente para controlar tanta evolução que fica, então, à mercê do ambiente que não pode ser tóxico, que deverá ter o melhor suporte energético (leite materno) e assegurar a estimulação mais adequada (o amor de quem é mais crescido). Sempre que se acaricia ou mima de outra qualquer forma um bebé, gera-se uma tempestade eléctrica potenciadora da mais perfeita evolução e aperfeiçoamento neuronais.
O amor é nuclear na relação pais e filhos e deve fluir livremente em ambas as direcções, sem condições nem limites. Da parte da criança é sempre assim, há garantia absoluta. Da parte dos pais nem sempre, ainda que muito raramente, pois aesmagadora maioria ama os filhos e envolve-os em carinho e ternura.»

Fonte: Crítica do pediatra José Manuel Tojal Monteiro ao livro “Seis meses para toda a vida”, de Elisabeth Fodor, María del Carmen García-Castellón e Montserrat Morán. In Acta Pediátrica Portuguesa 2008:39(3):137-8.

Nota: sublinhados nossos.

"Sinto Muito" de Nuno Lobo Antunes

O médico neuro oncologista Nuno Lobo Antunes acaba de lançar o seu primeiro livro, “Sinto Muito”. Como o próprio diz, é um “Sinto Muito” de “não ter feito melhor” bem como de “sofrimento partilhado”.

Referimos este livro pelo “Sinto Muito” do título e o seu óbvio paralelismo com o “Sem Cinto… Sinto Muito.” do nosso blog, mas também porque Nuno Lobo Antunes trabalha com crianças na área das alterações do comportamento e do insucesso escolar.

A criatividade na atribuição de nomes próprios e as suas implicações

«Ao responder ao padre, atribuindo um nome à criança, os pais ou padrinhos estão a realizar um acto constitutivo com um elevado teor de criatividade. […] Criativo porque as opções de escolha são sempre muito elevadas. Mesmo em Portugal, onde a série dos nomes próprios mais usados é relativamente pequena face a outros contextos lusófonos, a liberdade de escolha continua a ser considerável. O aspecto principal de criatividade, porém, é o facto de a escolha transportar sempre implicações semânticas – não só na etimologia do nome, na referência hagiográfica ou histórica ou na referência às modas vigentes mas, e sobretudo, pelo facto de a escolha de um nome criar serialidades (intergeracionais, no caso português em que as pessoas recebem o nome dos avós, dos padrinhos ou dos actores da moda; intrageracionais, no caso brasileiro em que os nomes de uma série de irmãos ou primos partilham todos de um elemento comum).»

In João de Pina Cabral, “Outros nomes, histórias cruzadas: apresentando o debate; etnográfica, maio de 2008, 12 (1): 5-16

Mulheres famosas que deram à luz um filho prematuro, relatam a experiência no livro Antes do Tempo

“[…] Alberta Marques Fernandes, Carla Rocha, Cristina Cardiga, Luísa Beirão, Maria Manuel Cyrne, Paula Guerra e Solange Monteiro. O que une estas mulheres?

Todas deram à luz um filho prematuro, experiência que relatam no livro Antes do Tempo.

A Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria apresenta esta obra hoje [15/12/2008], pelas 19h00, no Museu da Electricidade.

[…] é um livro que conta […] com reportagens fotográficas efectuadas nas principais maternidades do país: Maternidade Alfredo da Costa, Maternidade Bissaya Barreto e Maternidade Júlio Dinis, sob o olhar da objectiva do fotógrafo Alexandre da Silva.”

Fonte: Destak, 15 | 12 | 2008   12.19H

Concepção e Gravidez Depois dos 35

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