A gravidez nas telenovelas

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«Seja qual for a perspectiva em que se veja a questão, nas telenovelas ou nas soap-operas, como lembra Munford (1995), a gravidez é algo que acontece com as mulheres e que está, portanto, além do seu controle. A gravidez é sempre vista com passividade. Apesar de serem aptas a descobrir os sintomas de gravidez por elas mesmas, as personagens jamais se dão conta do fato. Elas freqüentemente vão ao médico por conta de sintomas vagos, como náusea, fadiga ou tontura, mas dificilmente notam a ausência do período menstrual e deduzem por elas mesmas a sua condição. Tais “plots” reproduzem a “ignorância” das mulheres sobre seu sistema reprodutivo ou sobre os métodos contraceptivos. Nas telenovelas, somente as vilãs parecem se dar conta de que tais métodos existem e sempre os utilizam de forma moralmente condenável.»

Fonte: “O fascínio de Scherazade: os usos sociais da telenovela”, Roberta Manuela Barros de Andrade, Annablume, 2003, (pág. 83).

Como ter certeza de que estou grávida?

«Havendo a suspeita do estado de gravidez, seja pelo atraso da menstruação, seja pela presença de sintomas sugestivos, a melhor medida é procurar o médico ginecologista e ele, após a consulta, solicitará a realização de um teste no sangue ou na urina que irá confirmar esse diagnóstico. Alguns testes comprados em farmácias poderão ser úteis, mas é melhor conversar com o médico para evitar fazer exames não-confiáveis e pouco conclusivos.»

Fonte: “Saúde: entendendo as doenças. A enciclopédia médica da família”, pág. 111

Flagrantes Irreais

«Estando a minha mulher grávida, participámos num encontro patrocinado por uma marca de roupa para grávidas e bebés. A dada altura, a oradora perguntou quais são os primeiros sintomas de gravidez. Depois de várias respostas, um marido, visivelmente satisfeito, exclamou: – Aumento dos seios!

Paulo Sequeira, Alcains, Portugal»

in Selecções do Reader’s Digest, “Flagrantes da Vida Real”

Se eles soubessem que eu estou grávida…

«romance

Não tardou a acusar os sintomas de gravidez. Quando o médico confirmou o estado, voltou para casa, comovidíssima. No ônibus, veio de pé, enquanto sujeitos fortes, atléticos, viajavam solidamente sentados. Pensou: “Se eles soubessem que eu estou grávida…” E só imaginava a surpresa maravilhosa do marido quando ela desse a notícia. À tardinha, chegou Guilherme. Deu-lhe um beijo frívolo na face. Já em mangas de camisa, sentou-se para ler, no jornal, a página de futebol. Então, nervosíssima, os olhos marejados, Regina diz:
– Eu estou!
– O quê?
Baixa a cabeça
– Vou ter neném!
Guilherme encostou o jornal, atônito: “No duro? Batata?”
Na sua emoção, na sua candura, Regina suspira:
– Assim disse o médico. Garantiu.
Apanhou, de novo, o jornal; rosnou:
– Que espeto!
Passado o encanto da lua-de-mel, via na maternidade só os aspectos desagradáveis, sobretudo o problema econômico. Perdia muito dinheiro no jóquei, na sinuca e… Continuou a ler o jornal de cara amarrada.»

Extracto de “A Vida como ELA é…” de Nelson Rodrigues

A mulher grávida merece tudo

«O Pai

Há quinze anos atrás, os dois se casaram, no civil e religioso, e, como todo mundo, numa paixão recíproca e tremenda. A lua-de-mel durou o quê?

Uns quinze, dezesseis dias. Mas, no décimo sétimo dia, encontrou-se Aderbal com uns amigos e, no bar, tomando uísque, de disse, por outras palavras, o seguinte: “O homem é polígamo por natureza. Uma mulher só não basta!”. Quando chegou em casa, tarde, semibêbado, Clara o interpelou:

“Que papelão, sim senhor!”. Ele podia ter posto panos quentes, mas o álcool o enfurecia. Respondeu mal; e ela, numa desilusão ingênua e patética, o acusava — “Imagine! Fazer isso em plena lua-de-mel!”. A réplica foi grosseira:

— Que lua-de-mel? A nossa já acabou!

Durante três dias e três noites, Clara não fez outra coisa senão chorar.

Argumentava: “se ele fizesse isso mais tarde, vá lá. Mas agora…”. A verdade é que jamais foi a mesma. Um mês depois, acusava os primeiros sintomas de gravidez, que o exame médico confirmou. E, então, aconteceu o seguinte: enquanto ela, no seu ressentimento, esfriava, Aderbal se prostrava a seus pés em adoração. Sentimental da cabeça aos pés, não podia ver uma senhora grávida que não se condoesse, que não tivesse uma vontade absurda de protegê-la. Lírico e literário, costumava dizer: “A mulher grávida merece tudo!”. No caso de Clara, ainda mais, porque era o seu amor. No fim do período, nasceu uma menina. E foi até interessante: enquanto Clara gemia nos trabalhos de parto, Aderbal, no corredor, experimentava a maior dor de dente de sua vida. Mas ao nascer a criança a nevralgia desapareceu, como por milagre. E, desde o primeiro momento, ele foi, na vida, acima de tudo, o pai. Esquecia-se da mulher ou negligenciava seus deveres de esposo. Mas, jamais, em momento algum, deixou de adorar a pequena Mirna. Incidia em todas as inevitáveis infantilidades de pai.

Perguntava: “Não é a minha cara?”. Os parentes, os amigos, comentavam:

— Aderbal está bobo com a filha!»

Extracto de “A vida como ELA é…” de Nelson Rodrigues.

Sintomas precoces da Gravidez

«Embora não sejam exclusivos da gravidez, esta faz-se frequentemente acompanhar de algumas queixas que, dentro de certos limites, são consideradas sem relevância clínica e não têm consequências negativas nem para a grávida nem para o feto.
Assim, pouco tempo depois da falta menstrual, ou mesmo um pouco antes dela, é normal sentir um ou mais dos seguintes sintomas:

Hipersensibilidade mamária ou mamilar
Hemorragia genital ligeira
Fadiga e sono
Náuseas e vómitos
Aumento da frequência urinária
Aversão a alguns alimentos
Obstipação
Alterações do humor
Cefaleias»

Fonte: Maternidade Alfredo da Costa, “Sintomas Precoces da Gravidez” pelo Prof. Dr. Jorge Branco