“Só recentemente é que começou a estudar-se a perspectiva masculina da gravidez. «Hoje, o homem tem uma experiência emocionalmente mais próxima da mulher», considera a psicóloga Maria Cristina Canavarro, da Maternidade Doutor Daniel de Matos, em Coimbra. Tanto assim é, que se identificou o chamado “Síndrome de Couvade”: «O psiquiatra britânico Trethowan identificou nos companheiros das mulheres grávidas um conjunto de sintomas físicos (enjoos, vómitos) e psicológicos (tensão, insónia e irritabilidade), que designou por “Síndrome de Couvade”, por referência a uma cerimónia presente nalgumas sociedades primitivas, em que, quando se aproximava a hora do nascimento de uma criança, os homens simulavam a agonia do parto», explica Maria Cristina Canavarro. No entanto, a psicóloga e também docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra, alerta que a prevalência destes sintomas físicos é muito pequena.
[…] Os pais que sentem «Síndrome de Couvade» podem apresentar vários sintomas, que são mais intensos no terceiro e quarto mês, e perto do final da gravidez:
- Variações de apetite
- Engordar
- Enjoos
- Insónias
- Indigestão
- Diarreia e prisão de ventre
- Flutuações de humor
- Dores de costas
- Desejos de comida”*
*Fonte: Pais e Filhos, 17/03/2007
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Os portugueses dão muita importância aos apelidos de famílias tradicionais, gostam de os usar, mas arriscam pouco quando decidem os nomes dos filhos, ao contrário dos brasileiros, para quem o diferente é que é «chique»
Esta é uma das conclusões do livro “Nomes: Géneros, Etnicidade e Família”, dos antropólogos João de Pina Cabral e Susana Viegas, que vai ser lançado na quarta-feira, em Lisboa.
«As famílias em Portugal têm muito poucos nomes próprios. Repetem os nomes que são dos antepassados mais importantes e a certa altura os primos têm todos os mesmos nomes. Depois vão dando alcunhas uns aos outros para se diferenciarem» , disse o antropólogo João de Pina Cabral.
Outro fenómeno que se verifica é que quem tem um apelido «sonante», mesmo que não seja o último nome, faz questão em o usar.
De acordo com o antropólogo, mesmo não sendo proveniente de uma família tradicional, o português comum «não gosta de ter nomes diferentes», ao contrário dos brasileiros, para quem «quanto mais diferente melhor».
Madeinusa, a Usnavy e Jáfalei são alguns dos exemplos dados por João de Pina Cabral, que garante que os brasileiros dão-se bem com esses nomes e até conseguem rir-se deles.
«Usam os nomes de maneira a fazer piadas» , disse o antropólogo, acrescentando que também no Brasil, nomeadamente em São Paulo, os apelidos têm muita importância, especialmente se forem italianos.
De realçar ainda o facto de ser muito comum entre os brasileiros dar aos rapazes o nome do pai, seguido de filho ou júnior, inclusivamente aos filhos nascidos fora do casamento.
Relativamente aos outros países lusófonos, João de Pina Cabral destaca que em Timor-Leste estão a ser dados muitos nomes portugueses, mas não fazem uma distinção entre os nomes próprios e os apelidos.
«Essa é uma tradição europeia. Em Timor-Leste não há a tradição de os membros de uma família usarem todos o mesmo apelido» , disse.
Em Moçambique, a maioria dos habitantes tinham nomes indígenas, mas começaram recentemente a adoptar nomes portugueses.
[…]No entanto, o antropólogo adiantou que, em Angola, a elite de Luanda também dá muita importância aos apelidos de família.
O livro Nomes: Géneros, Etnicidade e Família é uma «primeira abordagem à questão de como os nomes marcam as pessoas» […]
Fonte: Universia (Ênfase nosso)
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