Sem cinto?… Sinto muito.

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Mortalidade Infantil em Portugal e nos E.U.A

19 Outubro 2008 Sem notas por parte dos leitores

Portugal é um dos cinco países que mais notáveis progressos fez na redução da taxa de mortalidade desde 1970. No relatório de 2008 “Cuidados de Saúde Primários - Agora mais do que sempre”, da Organização Mundial de Saúde (OMS), salienta-se que “o desempenho de Portugal para reduzir a taxa de mortalidade em várias faixas etárias é dos mais consistentes e bem sucedidos nas últimas três décadas”.

Neste relatório da OMS pode constatar-se que, entre 1970 e 1980, em Portugal a mortalidade perinatal foi reduzida em 71%, a mortalidade infantil em 86%, a de crianças em 89% e a mortalidade maternal em 96%.

A mortalidade infantil (óbitos de crianças nascidas vivas que faleceram com menos de um ano) é sem dúvida um dos indicadores por excelência da qualidade do sistema de saúde e mesmo da qualidade de vida de um país. Apesar de todas as críticas que lhe são feitas, este progresso denota que o acesso aos cuidados de saúde em Portugal tem melhorado substancialmente nas últimas décadas.

Por mais surpreendente que possa parecer, a trajectória de Portugal é exactamente oposta à dos Estados Unidos (E.U.A.), por exemplo. Enquanto em 1960 os E.U.A. ocupavam a 12.ª posição no ranking mundial da mortalidade infantil, Portugal, nesse ano, estava num sombrio 35.º lugar. Segundo dados de 2004 do Centers for Disease Control and Prevention, Portugal passou a ocupar o 10.º lugar nesse ranking e os E.U.A. o 29.º.

Este percurso inverso ainda se torna mais parodoxal quando se consideram as despesas com saúde per capita em Portugal -  1.897$ - e nos E.U.A. - 6.096$.

Segundo a OMS, o progresso registado em Portugal ficou a dever-se à aludida melhoria “no acesso às redes de saúde, que foram expandidas”, a “um compromisso político sustentável” e a “um crescimento económico que permitiu continuar a investir no sector de saúde”.

Nos E.U.A o debate sobre as causas do seu mau desempenho distribui-se por vários temas, desde a obesidade ao consumo de drogas, a falhas generalizadas no sistema de saúde e a um aumento dos partos prematuros (1), muitos dos quais por cesariana (2).

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1) De 9% de todos os partos em 2000, para 12,7% em 2005;

2) Possivelmente 92% destes partos prematuros adicionais.

Fonte: New York Times, 15/10/2008; Editorial do New York Times, 19/10/2008, Diário As Beiras, 15/10/2008.

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Não culpe o útero da sua mãe pelos seus problemas ou o útero como bola de cristal

15 Outubro 2008 Sem notas por parte dos leitores

Um artigo publicado na Slate coloca a seguinte questão: Será que os problemas de saúde futuros começam durante a gestação?

O autor, Darshak Sanghavi, refere diversos estudos e observações que têm relacionado a origem de muitos problemas de saúde com o período de gravidez:

  • Um estudo indica que uma criança de três anos cuja mãe tenha aumentado exageradamente de peso durante a gravidez, terá maiores probabilidades de ter, também ela, peso a mais.
  • A BBC 4 irá emitir brevemente um documentário (War in the Womb) que “investiga a teoria do conflito fetal-maternal, uma ideia que tem sido ligada à pré-eclâmpsia, bem como a outras disfunções que surgem mais tarde, como a depressão e o autismo”.
  • Um grupo de cientistas de Yale, depois de analisar, através de ressonância magnética, os cérebros de mães após o parto, afirma que estes exames sugerem que a resposta do cérebro maternal ao choro do seu próprio bebé é afectado num parto por cesariana. De acordo com este estudo, a sensibilidade ao choro do bebé por parte das mães que têm o parto por cesariana é menor do que as que têm parto vaginal e poderá ter consequências futuras.

Em suma, existem hoje uma série de estudos, publicações e notícias que dão conta da importância crucial que têm os meses de gestação. Estas noções, por sua vez, dão azo e inflacionam a “moderna anxiedade paterna” - o receio por parte dos pais de que as suas acções durante este período inicial tenham consequências irreversíveis.

Darshak Sanghavi, professor de cardiologia pediátrica da Universidade do Massachusetts, considera que muitas destas conclusões são esticadas para além da sua base de suporte. Para Sanghavi, “as previsões do futuro de uma criança centradas no útero” subestimam sempre o papel do ambiente em que essa criança irá viver.

“Procurar no útero a explicação para problemas sociais e de saúde pública complexos, significa em última análise que as pessoas deixaram de tentar mudar as coisas que realmente importam. É pena. A verdade é que nada do que realmente importa neste mundo se consegue com facilidade. E como qualquer estudante aplicado que entrou para a Universidade, pessoa obesa que tenha mudado o seu estilo de vida, ou adulto que tenha ultrapassado uma depressão lhe poderá dizer, em algum momento terá de deixar de culpar o útero da sua mãe pelos seus problemas.”

Pode ler o artigo completo no site da Slate

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Porque é que muitas obstetras preferem cesarianas para os seus partos

11 Julho 2008 Sem notas por parte dos leitores

O Guardian de hoje publica um artigo bastante interessante e controverso sobre a questão dos “partos naturais” versus partos através de cesariana.

Segundo o artigo, um novo estudo do serviço nacional de saúde inglês sobre os cuidados durante a maternidade revela divisões entre os enfermeiros de saúde materna e os obstetras. Uma das principais diferenças relaciona-se com o parto. O autor exemplifica com o seguinte paradoxo: enquanto os enfermeiros obstetras e o governo inglês promovem o parto vaginal ou parto natural, a verdade é que, segundo alguns estudos, muitas obstetras (mulheres) preferem recorrer a uma cesariana para terem os seus próprios filhos.

Será apenas uma diferença de perspectiva? Ou, como se diz no artigo, “será que elas sabem alguma coisa que desconhecemos?” Vale a pena ler o artigo “‘We know the reality of childbirth“.

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Um em cada três partos realizados em 2006 foi cesariana

12 Março 2008 Sem notas por parte dos leitores

Um em cada três partos realizados em 2006 em Portugal foi por cesariana, valor hoje considerado um “problema de saúde pública” pelo médico Vicente Pinto, que defendeu como solução “tratar como natural o que é natural”.
Numa discussão sobre riscos do aumento do número de cesarianas nos países em desenvolvimento, no âmbito do 20º Congresso Europeu de Ginecologia e Obstetrícia, o especialista português lembrou que a meta do Plano Nacional de Saúde é fixar em 24,8 por cento a taxa de cesarianas em 2010.Na Europa, o número médio de cesarianas é de 19 por cento.
“Em Portugal, as cesarianas são um problema de saúde pública que está a aumentar e é um procedimento que não beneficia a mãe nem o bebé. Em 2001, o número era de 29,7 por cento, em 2004 de 33 por cento, em 2005 de quase 35 e em 2006 de 33,5 por cento”, apontou, no congresso que termina sábado, em Lisboa.

A redução que se registou entre 2005 e 2006 foi “um bom sinal”, defendeu Vicente Pinto, mas “não foi suficiente e há mais a fazer”.

Para justificar os números ainda elevados, o antigo director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) referiu à Lusa os pedidos da mulher - por temer complicações no parto vaginal ou consequências na vida sexual posterior - e o adiamento cada vez mais comum do momento da maternidade.

[…] No entanto, o clínico lembrou que uma cesariana é uma operação, que acarreta riscos idênticos a qualquer intervenção cirúrgica, um internamento mais prolongado e inúmeros problemas médicos.
[…] Vicente Pinto defende que o acompanhamento de uma enfermeira-parteira por parturiante, como acontece na Finlândia, “quase resolvia todos os problemas”.

“Há que fazer natural o que o é, e o parto é algo natural”, resumiu Vicente Pinto, lembrando que a Finlândia tinha em 2004 o melhor valor de cesarianas na Europa dos 15 (16,4 por cento).

Frisou ainda que depois de uma cesariana é possível fazer um parto vaginal, desmistificando a ideia que “depois de uma cesariana, segue-se outra”. […]

Fonte: Saúde: Um em cada três partos realizados em 2006 foi cesariana - RTP Notícias

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O terceiro país da OCDE com mais cesarianas

18 Janeiro 2008 Sem notas por parte dos leitores

 

O destaque do Destak de hoje é o apelo do ministro da Saúde, na sessão de encerramento das comemorações dos 75 anos da Maternidade Alfredo da Costa, para que se reduza o número de bebés que nascem por cesariana. No seu editorial, Isabel Stilwell, refere que "somos o terceiro país da OCDE com a taxa mais alta, que se cifra já em 32% no SNS".

Vale a pena ler o editorial. Aqui fica um excerto:

"Isto quando a OMS recomenda que a taxa se situe abaixo dos 20%[*], considerando o excesso de cesarianas como um indicador de falta de qualidade dos serviços maternos. Porque, para todos os efeitos, a cesariana é uma cirurgia grande, com riscos acrescidos para a mãe e para o bebé, e que deve ser reservada apenas para os casos em que tem genuína indicação clínica. Note-se que o problema não são as cesarianas em si, uma invenção miraculosa, que permite salvar muitas mães e bebés que antigamente morriam, mas o seu uso desnecessário e até perigoso."

De facto, têm surgido vários estudos que alertam para uso generalizado das cesarianos. Um dos últimos a vir a público, de que temos conhecimento, conclui que os bebés que nascem por cesariana planeada têm uma maior probabilidade de ter problemas respiratórios, do que os bebés que nascem por parto natural ou cesariana de urgência.

[*] A OMS aconselha um valor ainda mais baixo - 15% - a meta traçada pelo governo português é que é de 20%, para 2010.

Fonte: Destak.pt

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