Sofrer por amor no feminino, ou o classicismo da mulher moderna

«[Carla Aguiar:] Sofrer por amor é uma condição humana ou particularmente feminina? Também há homens mal-amados, não?

[Maria Michelena:] Também há homem mal-amados, mas normalmente esses são os que se posicionam mais no pólo feminino, passivo. E até têm um sofrimento mais solitário, porque enquanto nós temos as amigas, para eles é muito humilhante e difícil falar dos males de amor. Mas é essencialmente uma condição feminina, talvez até pela sua natureza. Por causa da maternidade, as mulheres estão preparadas para esquecer-se de si e fazer sacrifícios por outro. Mas uma coisa é sacrificar-se por um bebé, indefeso, outra é sacrificar-se por um homem de 40 anos. O problema é quando as mulheres se confundem e começam a tratá-los como um bebé. Quando gostam de um homem, às vezes querem mimá-lo como a um bebé. Tudo bem se for recíproco, mas quase nunca é…

[…] A questão é que, ao contrário do homem, a mulher não é moderna, é clássica , e quer compromisso, quer família. O homem sempre foi moderno. O casamento inventou-se para o agarrar.»

O livro de Mariela Michelena “Mulheres Mal-Amadas” foi recentemente publicado em Portugal pela editora Esfera dos Livros.

Fonte: Excerto da entrevista da jornalista Carla Aguiar à psicanalista Mariela Michelena, Diário de Notícias 22-09-2008.

Comissário europeu quer aumentar licença de maternidade para 18 semanas

«O comissário europeu do Emprego e dos Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, pretende aumentar a licença de maternidade de 14 para 18 semanas na União Europeia, devendo apresentar um projecto de directiva a 8 de Outubro.
Segundo noticia hoje o jornal alemão “Wirtshaftswoche”, o projecto prevê o pagamento da totalidade do salário durante toda a licença de maternidade.
Vlaidmir Splida, da República Checa, argumenta com a igualdade de oportunidades e a necessidade de melhorar a condição feminina, acrescenta o jornal. “Uma licença de maternidade mais longa terá um efeito positivo na relação com a criança e poderá ajudar as mulheres a tornarem-se mais activas” no mercado de emprego, segundo o projecto. […]»

Fonte: Público Online, 31-08-2008