Mais de 60% das grávidas recebe anestesia epidural

«Mais de 60% das grávidas que dão à luz nos hospitais públicos recebem anestesia epidural, revela um estudo feito em todos os serviços de anestesiologia do País, que será divulgado [em 15/10/2009]. O documento, coordenado pela médica Maria Rui Crisóstomo, do Hospital de Braga, mostra que uma média de 64 por cento das mulheres recebe epidural, o "método privilegiado" para aliviar a dor durante o parto.

Segundo Maria Rui Crisóstomo, uma vez que nem todos os hospitais têm serviços de anestesiologia a funcionar 24 horas por dia, 37 por cento a 93 por cento das mulheres podem ter acesso a eles, dependendo da hora a que estejam em trabalho de parto.

[…] "Em 2008 tivemos 104 675 nascimentos no nosso país e torna-se imperativo fazer um bom controlo da dor", declarou.»

 

Fonte: Diário de Notícias, 15/10/2009

Epidural e o parto sem dor

Andreia Pereira publicou no notícias magazine do Diário de Notícias de 13 de Setembro um artigo interessante sobre o uso da analgesia epidural durante o parto. Não só traça uma evolução do seu uso em Portugal, como analisa as posturas actuais da comunidade médica sobre o tema.

Alguns excertos do referido artigo:

“Um estudo publicado no British Journal of Anaesthesia apresenta informações animadoras para quem está em vias de dar à luz: a analgesia epidural é praticamente isenta de riscos, quando aplicada correctamente. Segundo os dados revelados, apenas uma em cada oitenta mil grávidas a quem foi administrada a epidural poderá apresentar complicações durante ou após o parto. Com base nestes números, estima-se que, num total de cem mil partos que se realizam anualmente em Portugal, se todas as parturientes recebessem analgesia epidural, ocorreriam 1,2 casos/ano com alguma complicação derivada da técnica.
«A analgesia epidural deve ser estimulada, porque nenhuma mulher merece ter dores durante o trabalho de parto», defende Luís Mendes da Graça, director do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

[…] No nosso país, esta técnica foi implementada nos hospitais públicos no início da década de 1990. […] Só no Hospital de Santa Maria, oitenta por cento dos partos que se realizam anualmente «são analgesiados».

[…] Para Luís Mendes da Graça, a ideia «romântica» do parto sofrido tem de passar à história: «Estamos no século XXI e não podemos aceitar que os procedimentos médicos sejam comparáveis a países de Terceiro Mundo.»

[…] «A epidural bem feita retira a sensação dolorosa, permitindo, simultaneamente, que a mulher mantenha sensibilidade e os reflexos automáticos de expulsão», reitera Costa Martins, director do Serviço de Anestesiologia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).

[…] Antes de receber epidural, as mulheres são consultadas. «Nada é feito contra a vontade da parturiente», indica o obstetra [Luís Mendes da Graça]. Por se tratar de uma técnica invasiva, a aplicação da analgesia obriga que, após esclarecimento, seja assinado pela parturiente um termo de consentimento informado. Logo que haja uma autorização expressa, a epidural «é administrada a partir do momento em que a intensidade das contracções é suficientemente forte para provocar dores e desconforto».”

Leia o artigo completo em: “Dar à luz sem sofrimento”, por Andreia Pereira, Diário de Notícias, 13/09/2009

Anestesiologia dos HUC distinguida com prémio europeu

“O Serviço de Anestesiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) foi premiado pela Sociedade Europeia de Anestesia Regional por um trabalho de investigação relacionado com a aplicação da anestesia epidural para o trabalho de parto com o apoio da ecografia. […] A investigação foi dirigida por Edgar Semedo, especialista em anestesia loco regional dirigida por ecografia, e contou com a colaboração dos internos em anestesiologia Tiago Carreiro, Francisco Matos, Margarete Rocha e Ana Eufrásio.

A investigação premiada incidiu na aplicação da anestesia epidural e permitiu calcular a distância da pele e o local onde é colocada a punção. Adaptada a um contexto específico, a equipa de Edgar Semedo veio demonstrar que, com a ajuda da imagem, é possível acabar com os problemas em descobrir o ponto certo para aplicação do cateter, especificamente em pessoas obesas.

[…] Martins Nunes, director do Serviço de Anestesiologia, considera que o prémio da Sociedade Europeia de Anestesia Regional «representa um reconhecimento do meticuloso e exigente trabalho de investigação do nosso serviço. Aumenta a nossa responsabilidade perante a comunidade médica internacional e perante os doentes que nos procuram e que em nós confiam»”

Fonte: Diário de Coimbra (escrito por Patrícia Isabel Silva)

Fugir das mães superlativas

“Quando uma mulher engravida descobre uma espécie de gente para a qual não tinha ainda despertado: os palpiteiros. Os sabe-tudo, os «olha que só te aviso porque já passei pelo mesmo», as amigas «tu é que sabes, mas…», ou, noutra versão, as «se eu fosse a ti». Há ainda as fundamentalistas do parto natural, as defensoras da indução/cesariana marcada na agenda, que cantam louvores à epidural. Depois, há a raça das mães superlativas que trabalharam até ao último dia de gravidez, passaram olimpicamente pelo mais horrível dos partos com dores lancinantes, que aguentaram estoicamente mais de 12 horas de trabalho de parto para «acabar numa cesariana de urgência» e, por isso, «mais vale ires directamente para a cesariana…»

[…] Não há nenhuma regra que seja infalível. O que faz sentido para uns não tem qualquer cabimento para outra família.”

Excerto do excelente editorial de Maria Jorge Costa na Revista Pais & Filhos de Fevereiro de 2009.

Grávidas reclamam epidural disponível 24 horas por dia no Hospital de Leiria

«Três semanas após a entrega do abaixo-assinado com 1.650 assinaturas exigindo partos sem dor, a anestesia epidural no Hospital de Leiria continua a não estar garantida 24 horas por dia.

[…] Em causa está a decisão da administração do Hospital de Santo André de restringir a anestesia epidural a apenas partos que representam “casos excepcionais”, o que provocou, no início do corrente ano, o descontentamento de dezenas de grávidas e respectivas famílias. Tal facto levou a que tivesse sido colocado a circular na cidade de Leiria e na Internet um abaixo-assinado com o objectivo de pressionar a Administração do Hospital Santo André a recuar na ordem interna que determinava que a injecção epidural só fosse administrada às parturientes, se tal se justificasse por questões de saúde.
[…] Fonte da unidade de saúde adiantou que, entretanto, a injecção que permite o parto sem dor voltou a ser ministrada durante o período diurno, entre as 08H00 e as 20H00, tal como ocorria até ao final do ano passado, de acordo com o horário dos médicos anestesistas. […]
Para Sandra Cadima, primeira subscritora do abaixo-assinado, esta recolha é um “acto de indignação” dos utentes, que reclamam a medida para minimizar a dor das parturientes. A cerca de uma semana de ser mãe pela segunda vez, Sandra considerou ontem que, “se o Ministério da Saúde anda a fechar tantas maternidades, ao menos que as que ficam sejam dotadas de todas as condições”.
“Embora o parto seja uma experiência natural que muitas mulheres podem viver sem medicação, este não tem de ser uma prova de força ou resistência” e a “epidural permite a minimização da sensação de dor” no “trabalho de parto sem prejudicar a capacidade motora da parturiente”, ressalva o documento. A verdade é que há algumas mulheres grávidas residentes na área de influência do Hospital Santo André continuam a colocar a hipótese de terem os filhos nas maternidades de Coimbra, onde a epidural já entrou na rotina.»

 

Fonte: As  Beiras