O subsídio de paternidade e a auto-estima das crianças

«[…] Em 2006, foram pagos 438 subsídios de paternidade, mais 25 do que no ano anterior.

Estudos recentes feitos por investigadores do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) concluem que “a presença do pai na vida da criança tem um papel fundamental para o seu desenvolvimento sócio-emocional, a vários níveis”. A psicóloga Inês Rito concluiu que “as crianças que têm um pai presente têm um nível de auto-estima superior àquelas que têm um pai ausente”. Um outro estudo realizado no ISPA concluiu que quanto maior é a participação e o envolvimento do pai no crescimento e educação da criança “melhor é a qualidade da relação que se estabelece entre ambos”.»

Fonte: Correio da Manhã, 19-03-2009

A ansiedade não dificulta uma gravidez por fertilização in vitro

«Um estudo publicado hoje na revista Human Reproduction mostra que, afinal, a ansiedade e a depressão não têm nenhum efeito negativo nas probabilidades de uma mulher engravidar num processo de fertilização in vitro (FIV). Estes dois factores também não parecem influenciar as desistências nos tratamentos de fertilidade, revelam os investigadores que conduziram o projecto na Holanda.
[…] Bea Lintsen, principal autora do artigo, sublinha que os estudos até agora realizados sobre a associação da ansiedade e depressão ao sucesso nas tentativas para engravidar foram inconclusivos e que este projecto dedicado ao campo das mais vulgares técnica de Procriação Medicamente Assistida marca uma diferença. Porém, a especialista admite que esta relação é muito complexa e que é preciso investigar mais, nomeadamente integrando varáveis como o estilo de vida e o comportamento sexual.»

Fonte: Público, 29-01-2009

Um pequeno copo de vinho ou a abstinência completa?

«Uma pesquisa britânica afirma que meninos nascidos de mães que consumiram quantidades “leves” de bebidas alcoólicas durante a gravidez têm menos problemas de comportamento do que filhos de mães que se abstiveram totalmente do álcool.

Os pesquisadores do University College de Londres classificaram como consumo “leve” no máximo duas unidades de bebida por semana durante toda a gravidez. Consumo “moderado” foi classificado como três e seis unidades por semana, e “pesado”, como sete ou mais.

Na Grã-Bretanha, uma unidade de álcool corresponde a um copo pequeno de vinho (125 mil) ou um copo grande de cerveja.

Entre as pesquisadas, 63% das mães não consumiram nenhum álcool durante a gravidez, 29% eram consumidoras leves, 6% eram moderadas e 2% foram classificadas no consumo pesado.

O estudo analisou 12,5 mil crianças de três anos de idade e descobriu que filhos de mães com consumo leve de bebida alcoólica tinham menos risco de desenvolver alguns problemas de comportamento.

Comportamento e compreensão

Os pesquisadores analisaram o comportamento e compreensão dos filhos destas mulheres quando estes atingiram os três anos de idade.

O estudo, publicado pela revista International Journal of Epidemiology, descobriu que meninos filhos de mulheres que tiveram consumo leve de bebidas tinham 40% menos chances de apresentarem problemas de comportamento e 30% tinham menos chances de serem hiperativos do que aqueles cujas mães não tinham consumido álcool nenhum.

Eles também pontuaram mais em testes de vocabulário e de identificação de cores, formas, letras e números.

Meninas filhas de mulheres que tiveram consumo leve de bebidas apresentaram chances 30% menores de desenvolver problemas emocionais do que as filhas das abstêmias, apesar de os pesquisadores afirmarem que isto pode ser devido à própria família da criança e à sua posição social.

“As razões por trás destas descobertas podem ser, em parte, devido ao fato de mulheres com consumo leve de bebidas tenderem a ter uma posição social melhor que as abstêmias e não ao fato de que álcool em quantidades pequenas possa trazer benefícios – como à saúde do coração, por exemplo”, afirmou Yvonne Kelly, epidemiologista que liderou a pesquisa.

“Mas, também pode ser devido ao fato de mulheres com consumo leve de bebida terem uma tendência a serem mais relaxadas com elas mesmas e isto contribui a um melhor resultado em termos comportamental e cognitivo nos filhos.”

“As descobertas de nosso estudo levantam questões quanto à política de recomendar abstinência completa durante a gravidez e sugere que mais pesquisas são necessárias”, acrescentou. […]

Para ver o artigo completo consulte: BBC Brasil

Conclusão do artigo original publicado no International Journal of Epidemiology: “Children born to mothers who drank up to 1–2 drinks per week or per occasion during pregnancy were not at increased risk of clinically relevant behavioural difficulties or cognitive deficits compared with children of abstinent mothers. Heavy drinking during pregnancy appears to be associated with behavioural problems and cognitive deficits in offspring at age 3 years whereas light drinking does not.”

Outros artigos sobre este tema: Guardian, New Scientist

Óleo de linhaça pode aumentar risco de parto prematuro

«Investigadores canadianos revelaram que os riscos de parto prematuro quadruplicam se for consumido óleo de linhaça nos dois últimos trimestres da gravidez.
[…] A primeira parte da investigação estabeleceu que cerca de 10 por cento das mulheres, entre 1998 e 2003, utilizaram produtos naturais durante a gravidez. Entre os produtos naturais mais consumidos pelas grávidas encontram-se a camomila, utilizada por 19 por cento, o chá verde, consumido por 17 por cento, a hortelã-pimenta e o óleo de linhaça, ambos tomados por 12 por cento das grávidas.
Os investigadores compararam o consumo destes produtos a partos prematuros, tendo apenas um produto apresentado uma forte correlação, o óleo de linhaça.
De acordo com a Dra. Berard [da Faculdade de Farmácia da Universidade de Montreal e do Centro de Investigação do Hospital Sainte-Justine], na população geral, a taxa média de partos prematuros é de 2 a 3 por cento. Contudo, para as mulheres grávidas que consumem óleo de linhaça nos últimos dois trimestres de gestação a taxa sobe para 12 por cento, o que é um risco enorme, acrescentou a Dra. Berard.
A correlação apenas existiu com o óleo de linhaça, contudo, as mulheres que consumiram a semente em si não foram afectadas.»

Fonte: Portal de Farmácia e do Medicamento

As grávidas francesas e a simpatia dos obstetras

O sistema de saúde francês costuma ser referenciado como um exemplo de boas práticas. Tal como em Portugal, tem-se assistido ao longo dos últimos anos a uma concentração dos partos nos grandes centros hospitalares franceses.

Esta centralização não parece ter influenciado os sentimentos das grávidas francesas. Segundo um inquérito recente mais de 95% das grávidas declaram-se satisfeitas com o acompanhamento da sua gravidez e parto. Mais de 95% é um valor deveras surpreendente! Seria curioso saber os dados relativos a Portugal.

Um outro dado interessante que este mesmo estudo indica é que as grávidas francesas dão mais relevo às qualidades humanas dos profissionais de saúde do que às suas prestações técnicas. Paradoxalmente gostariam de estar melhor informadas sobre os actos médicos praticados durante o parto.

Fonte: Le Monde, 01-10-2008

O toque materno ajuda a minimizar o sofrimento dos bebés prematuros

Um estudo canadiano realizado com 61 recém-nascidos com 28 a 31 semanas de gestação, sujeitos a procedimentos dolorosos, como injecções, afirma que mesmo os bebés muito prematuros também beneficiam do contacto directo com a pele das suas mães durante esses actos médicos.

Os investigadores avaliaram a severidade da dor utilizando uma escala que mede os batimentos do coração, a saturação de oxigénio do sangue e indicadores comportamentais tais como expressões faciais.

O levantamento efectuado na McGill University de Montreal mostrou que os bebés que estiveram em contacto directo com a pele da sua mãe recuperaram da dor de procedimentos invasivos em um minuto e meio, enquanto que os que estavam em incubadoras sofreram por mais de três minutos.

Fontes: New York Times e BBC 

Aleitamento materno favorece o desenvolvimento da inteligência

«O aleitamento materno prolongado auxilia o desenvolvimento cognitivo e a inteligência das crianças, revela um estudo canadiano. A investigação foi dirigida por Michael Kramer, da Universidade McGill de Montreal, que utilizou uma amostra de 14 mil crianças na Bielorrússia. Trata-se, por isso do maior estudo alguma vez realizado numa amostra aleatória.

A equipa de Kramer, professor de pediatria, epidemiologia e bioestatística na Faculdade de Medicina daquela universidade, concluiu que o aleitamento materno produz uma subida do quociente intelectual das crianças e uma melhoria do seu rendimento escolar.

Cerca de 14 mil crianças foram seguidas durante seis anos e meio em cerca de trinta hospitais e clínicas da Bielorrússia. Metade das mães foi exposta a um programa para encorajar o aleitamento materno, enquanto as outras continuaram a receber o habitual acompanhamento pós-natal.

As conclusões do estudo foram apresentadas na segunda-feira e estão publicadas no último número da revista norte-americana “Archives of General Psychiatry”.»

Fonte: Rádio Renascença

Para saber mais: v. http://www.mcgill.ca 

Adaptação parental ao nascimento de um filho

Mariana Moura-Ramos e Maria Cristina Canavarro realizaram um estudo sobre a adaptação ao nascimento de um filho identificando as diferenças respostas de pais e mães. Para esta investigação as autoras questionaram 214 mães e 193 pais na Maternidade Dr. Daniel de Matos. Aqui fica um resumo deste estudo:

O nascimento de um filho é, habitualmente, considerado como um dos acontecimentos mais importantes e marcantes na vida dos indivíduos e da família. No entanto, e apesar de considerado um acontecimento normativo no ciclo de vida de uma família […], pode ser uma fonte de stress pelas exigências de prestação de cuidados, pela reorganização individual, conjugal, familiar e profissional que exige […]; bem como pode ser também fonte de grande satisfação, pela realização pessoal que promove, pelo novo significado que atribui à vida dos pais e pela aproximação que pode causar nos membros do casal e da família em geral […].

[…] A necessidade de reorganização da vida dos indivíduos é geralmente elevada, podendo conduzir, nas mães e nos pais, a elevados níveis de perturbação emocional. Dado que esta reorganização pode ser distinta ao longo do tempo que se segue ao parto e em função do género do progenitor, pretende-se com este estudo conhecer as diferenças na adaptação materna e paterna ao nascimento de um filho, nomeadamente em dois momentos distintos: dois a cinco dias após o parto e oito meses após o parto.

A amostra, constituída por 214 mães e 193 pais, foi recolhida na Maternidade Dr. Daniel de Matos dos Hospitais da Universidade de Coimbra. […].

De forma geral, os resultados são indicadores da existência de uma boa adaptação em mães e pais, apesar de revelarem que, principalmente no primeiro momento de avaliação, as mães, quando comparadas com os pais, apresentam uma reacção emocional mais intensa.

Os resultados sugerem que o nascimento de um filho é um importante momento da vida das famílias, tanto para as mães como para os pais, significando geralmente um momento de grande felicidade para ambos. Porém, o presente estudo sugere uma adaptação mais exigente para a mãe, provavelmente devido à maior necessidade de reorganização implicada.”

Fonte: MOURA-RAMOS, Mariana y CANAVARRO, Maria Cristina. Adaptação parental ao nascimento de um filho: comparação da reactividade emocional e psicossintomatologia entre pais e mães nos primeiros dias após o parto e oito meses após o parto. Aná. Psicológica, 2007, vol.25, no.3, p.399-413. ISSN 0870-8231.