Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade

«[…] “Nunca me vou libertar do medo de os meus filhos serem prematuros”, desabafa Carla Rocha, mãe de duas crianças que nasceram antes do tempo e que preside à XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro, a propósito do primeiro Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, que se assinala terça-feira.

[…] Às 28 semanas de gestação, Carla Rocha sofreu um impacto único na sua vida: viu nascer o seu primeiro filho com 800 gramas “sem perceber o que se estava a passar”. Quatro anos depois nasceu a sua filha, também prematura, e apesar de já saber o que a esperava diz que viveu “o mesmo horror, a mesma agonia e angústia”. “A ansiedade e a angústia prolongam-se pela vida toda”, diz, acrescentando que o que está em causa é o medo de se perder aquele filho.
Para Fátima Clemente, médica do Serviço de Neonatologia do Hospital de S. João, não é só o bebé que é prematuro numa situação destas, há também uma família “que de repente se tornou prematura”.

[…] Enfermeira na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do S. João há 26 anos, Madalena considera que, perante prematuros, os pais têm de aprender a viver dia a dia. “Dizer aos pais que o seu bebé está estável não lhes diz nada”, disse. “O que gostam de ouvir é que o bebé aumentou 30 gramas, sorriu, abriu o olho ou mamou cinco mililitros de leite. São vitórias que se festejam”.
À espera do Dia Mundial
Este dia de sensibilização para os bebés prematuros foi criado pela Fundação Europeia para o Cuidado dos Recém-nascidos (EFCNI, na sigla em inglês) e será comemorado pela primeira vez terça-feira em diversos países europeus, na Austrália, Estados Unidos e Canadá. Em Portugal, a data será assinalada nos hospitais S. João, no Porto, e Central de Faro, bem como nas maternidades Bissaya Barreto, em Coimbra, e Alfredo da Costa, em Lisboa.
A ideia é “lembrar o prematuro, reflectir e pensar em maneiras de reduzir a taxa de prematuridade, reduzir as sequelas nestas crianças e minimizar os problemas das suas famílias”, afirmou à Lusa Hercília Guimarães, directora do Serviço de Neonatologia do Hospital de S. João e membro da direcção da EFCNI.
Segundo Hercília Guimarães, a fundação europeia solicitou já à Organização Mundial de Saúde (OMS) que institua o 17 de Novembro como Dia do Prematuro, encontrando-se agora à espera da resposta. “Temos cerca de 10 por cento de nascimentos prematuros em Portugal”, refere a médica, acrescentando que estes bebés, bem como as suas famílias, se deparam com múltiplos desafios. “São bebés que precisam de cuidados especiais e de apoio multidisciplinar depois de terem alta do hospital, durante muito tempo”, afirma.
70 por cento de hipóteses antes das 28 semanas
De acordo com dados da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, as crianças que actualmente nascem antes das 28 semanas de gestação têm uma sobrevivência de 70 por cento e, das que nascem antes das 30 semanas, 80 por cento não têm problemas de desenvolvimento. […]»

Fonte: Público, 16.11.2009

Os pediatras e a utilização da chupeta

«[…] Grande parte dos médicos só as aconselha quando o bebé já mama bem, e sempre com moderação na hora de dormir. Entre os mais cépticos está Mário Cordeiro. A chupeta deve ser usada como “último recurso, em períodos em que o bebé tem necessidade de chuchar e apenas quando vai dormir”, diz o especialista.

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[…] O chefe de Serviço de Pediatria e responsável pela Unidade de Neonatologia do Centro Hospitalar de Cascais, Luís Pinheiro – que tem um site na Internet onde responde às dúvidas dos pais – vai logo advertindo que prefere que o bebé “mame na chupeta do que no dedo” que é um vício difícil de abandonar. Já a chucha só se transforma em vício “quando os pais a deixam usar a torto e a direito”. Defende por isso que a partir dos 18 meses o seu uso deve restringir-se à hora de dormir.

Também alguns estudos têm demonstrado que o uso de chupeta pode reduzir a incidência de síndroma da morte súbita do lactente.

[…] O ideal, defende Hercília Guimarães [directora do Serviço de Neonatologia do Hospital de S. João], é utiliza-la a partir do segundo mês de vida. Mas apenas para acalmar “o bebé que é muito exigente, que está sempre a chorar e procura mamar em tudo desde o dedo ao cobertor”. Muito importante é que a criança “nunca seja obrigada a usar chupeta”.

[…] Rosa Gouveia, da direcção da Secção de desenvolvimento da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), refere que “só deve ser oferecida ao recém-nascido depois da amamentação estar bem estabelecida, de modo a não o confundir”, mas sem, contudo, apontar períodos de adaptação. “Não havendo esta aprendizagem, a maior parte dos bebés irá chuchar no dedo”, alerta.

[…] Pelo contrário, a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, defende que não existe qualquer incompatibilidade entre o uso da chucha e a amamentação.

Mesmo assim, a pediatra aconselha a usá-la “a partir da segunda semana para a mãe se habituar a acalmar o recém-nascido com a voz e não com a chupeta”. Mas, avisa, “sem exageros”. E com o tempo, só para adormecer.

Dos problemas que podem surgir com a chucha, dependendo do seu formato, é a deformação dentária. Segundo Mário Cordeiro, existem no mercado chupetas “ortodônticas, que são achatadas e interferem menos com a dentição, tendo também a vantagem de simular melhor o mamilo materno”.»

Pode ler o artigo completo em: Diário de Notícias, 18/10/2009 (artigo de Susana Pinheiro).

Portugal contabiliza cerca de mil bebés prematuros, abaixo dos 1500 gramas, por ano

«Portugal contabilizou 1025 bebés prematuros abaixo dos 1500 gramas e das 32 semanas de gestação, no ano de 2008.

[…]Nos últimos 30 anos, a realidade da prematuridade tem subido no nosso país. Se há 30 anos, 5% dos pequeninos que nasciam estavam abaixo das 32 semanas (mas já depois do limiar da viabilidade), hoje são já 7%. A causa mais frequente, dizem os especialistas, são as infecções assintomáticas. “É, de facto, a causa mais apurada. São as infecções bacterianas ou víricas. Uma placenta inflamatória ou uma infecção urinária, por exemplo, podem espoletar as contracções de parto”, explicou Hercília Guimarães, directora do Departamento de Neonatologia do Hospital de S. João, no Porto. Por outro lado, pormenorizou a especialista, a prematuridade “é multifactorial”. “Se a mãe sofrer de uma doença crónica como uma cardiopatia, a probabilidade de vir a ter um bebé prematuro é maior”, disse.

Mas uma coisa é a causa mais verificada, outra coisa são os factores de risco, sobre os quais nem sempre se pode provar matematicamente que estiveram na origem de um parto prematuro. “Sabemos que o stress e que uma vida muito apressada e cheia de preocupações pode ser um risco, mas não podemos provar matematicamente que foi o stress que esteve na origem de um parto prematuro. Não se pode estabelecer essa relação assim. Mas claro que é um risco. O mesmo se pode dizer em relação à poluição”, defendeu.

[…]

Mas, na verdade, não há muito que a futura mãe possa controlar ou fazer, além de ter os cuidados que sempre se aconselham. “Não depende muito da mãe. Esta tem que ter uma vida com uma nutrição adequada, sem hábitos nocivos como o tabaco ou o álcool e alguma calma”, avançou Hercília Guimarães. Por outro lado, “é conveniente que a gravidez seja desejada e vigiada clinicamente”, avisou.

Um risco mas também uma causa da prematuridade é a Procriação Medicamente Assistida. “Durante um tempo implantavam-se vários embriões, para que a probabilidade de uma gravidez vingar fosse maior. O que sucedia era que, mesmo vingando durante a gravidez, os bebés nasciam prematuros e morriam depois porque eram mesmo muito prematuros”, relatou aquela especialista.

[…]  As probabilidades de se salvarem estes pequeninos aumentaram bastante, mas para os pais que têm o seu bebé dentro de uma incubadora, ligado a máquinas e com tubos por tudo quanto é lado, a realidade fica assustadora. “Nunca ninguém está preparado para ter um bebé prematuro”, confirmou a médica Paula Fernandes.

[…] Regra geral, face à notícia, o casal fica mais unido. “Ficam mais unidos e percebo que, hoje em dia, tanto as mães como os pais são muito presentes. Há muitos anos, as mães vinham, os pais nem por isso. Hoje, isso mudou”, congratulou-se.

E a presença de ambos os pais perto da incubadora “é fundamental”, concluiu.»

Fonte: “Muito pequeninos mas sobreviventes”, Leonor Paiva Watson, Jornal de Notícias, 19-04-2009.