Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Poema de Almada Negreiros (1893-1970)
in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim, pág. 1337.
Temas: Almada Negreiros · casa · histórias · mãe · mesa · poema · poesia · viajar
“O canal Panda vai reforçar a sua grelha de programação em Fevereiro, estreando as séries «Mãe Mirabelle» e «País dos Ozie Boo», nos dias 1 e 2, respectivamente.«País dos Ozie Boo» vai convidar os mais pequenos a acompanhar as histórias dos pinguins Ed, Ted, Ned, Fred e Nelly. Serão promovidos na série valores como a coragem, a solidariedade, o respeito e a confiança, celebrando a diferença.A estreia está agendada para dia 2 de Fevereiro. A série será emitida de segunda a sexta-feira, às 10:00 e às 19:30.”*A série francesa Ozie Boo, teve um êxito considerável em França e irá ser transmitida em mais de 100 países, incluindo Portugal.A Bébé Confort lançou uma nova linha de produtos baseada na série Ozie Boo.Fontes: Tv 7 Dias, n.º 1141*Diário Digital, 29-01-2009Global License, 03-07-2008
Temas: amizade · França · histórias · Ozie Boo · pinguins · programação · solidariedade
«Não existem faixas rosa para usar se você sofreu um aborto espontâneo, nenhuma passeata ou camiseta para encorajar a conscientização e prevenção. E até onde temos uma linguagem para falar sobre o assunto, ela é repleta de frases superficiais: “Não se preocupe, eu também tive um”, ou “Eu tive dois, e então – puf – o Davey nasceu, e nesta semana ele está se formando na faculdade”. Mas, enquanto você pertence ao clube imaginário das Mulheres Sem Filhos, este é um planeta secreto de dor, praticamente invisível ao mundo externo.
Recentemente, sofri meu terceiro aborto espontâneo em um ano. Aconteceu cedo na gravidez, e foi descartado como nada grave – “gravidez química” parece ser o termo artístico. Não vamos reagir exageradamente, não há necessidade de histeria, bola pra frente.
[...] Entretanto, não sei o que você deve dizer a uma mulher que teve abortos espontâneos. Ao mesmo tempo em que pode ser emocionante ouvir histórias de outras mulheres, pode também ser irritante: faz com que nosso momento de extraordinária tristeza se torne comum e dentro da média. Por que eu iria querer ouvir sobre seu aborto quando estou deitada no chão tentando erguer 250 quilos de fracasso, desilusão e hormônios despedaçados em meu peito?
O que posso dizer é: quero que as pessoas saibam. Não quero que seja um segredo ou uma sombra, ou algo carregado individualmente. Quero que as pessoas saibam que eu passei por algo, que estou cansada mas otimista, que fui derrubada mas não me ajude, pois posso me levantar sozinha.
É justo, acho eu, querermos testemunhas para nosso sofrimento. Mas com o sofrimento também vem a esperança. E afinal de contas, somos criaturas flexíveis. Uma amiga minha disse-o muito bem, num e-mail enviado depois que soube de minhas novidades. “Espero que você não desista”, escreveu ela. “Ainda quero tirar uma foto de seu filho ao lado do mais alto girassol.”»
N. West Moss é escritora em Nova Jersey (EUA).
Fonte: Globo, 22/10/2008
Temas: aborto · aborto espontâneo · gravidez química · histórias · testemunos · tristeza