Fugir das mães superlativas

“Quando uma mulher engravida descobre uma espécie de gente para a qual não tinha ainda despertado: os palpiteiros. Os sabe-tudo, os «olha que só te aviso porque já passei pelo mesmo», as amigas «tu é que sabes, mas…», ou, noutra versão, as «se eu fosse a ti». Há ainda as fundamentalistas do parto natural, as defensoras da indução/cesariana marcada na agenda, que cantam louvores à epidural. Depois, há a raça das mães superlativas que trabalharam até ao último dia de gravidez, passaram olimpicamente pelo mais horrível dos partos com dores lancinantes, que aguentaram estoicamente mais de 12 horas de trabalho de parto para «acabar numa cesariana de urgência» e, por isso, «mais vale ires directamente para a cesariana…»

[…] Não há nenhuma regra que seja infalível. O que faz sentido para uns não tem qualquer cabimento para outra família.”

Excerto do excelente editorial de Maria Jorge Costa na Revista Pais & Filhos de Fevereiro de 2009.

Unicef: Portugal deve apostar na humanização do parto

«Conquistada uma posição cimeira na saúde materno-infantil, Portugal deve agora apostar na humanização do parto, defende Purificação Araújo, ginecologista e uma das fundadoras da Unicef portuguesa.

Portugal está classificado em dados internacionais como um dos países com menor taxa de mortalidade materna e infantil, realidade que Purificação Araújo considera muito positiva.

[…] Segundo Purificação Araújo, Portugal teve uma recuperação “fantástica” em pouco mais de 30 anos. O problema foi estudado e foram estabelecidas políticas de saúde com objectivos bem definidos.

Os valores de 1975, explicou, eram muito elevados para o nível dos países europeus e nessa altura o sistema de saúde concentrou-se numa estratégia e tomou como prioritário o programa de desenvolvimento da melhoria da saúde materno-infantil.

[…] Com a conquista desta etapa na história da saúde materno-infantil, adiantou, falta agora apostar na humanização dos serviços.

“Agora queremos mais qualidade nos serviços, maior humanização do clima técnico de um hospital que passa, por exemplo, pelo acompanhamento por um familiar”, disse.

Este é, segundo Purificação Araújo, o caminho certo e não o regresso aos partos em casa como “algumas correntes têm vindo a defender”.

“Qualquer parto tem de ser feito num local onde seja assegurado que perante qualquer complicação existe capacidade para uma intervenção cirúrgica rápida”, disse.

O perigo em obstetrícia, frisou, surge de um momento para o outro e quando surge é sempre grave.»

Fonte: Expresso, 15-01-2009 

Parto orgásmico

Será apresentado em Coimbra entre 22 e 25 de Maio o ciclo “Parto Orgásmico”, uma mostra de filmes sobre a experiência do parto integrada no festival Caminhos do Cinema Português.

 

«Esta mostra de filmes sobre a experiência do parto vai buscar o seu título a um dos filmes em exibição. Serão apresentados filmes dos Países Baixos, EUA, Rússia, Guatemala, México, Argentina, Brasil e Espanha. O que os une é a forma como nos apresentam partos naturais em que o poder é restituído à mulher, não sendo este seu ritual de passagem mediado por máquinas ou drogas. As únicas drogas presentes são as hormonas naturais. [“The same pleasurable stimuli triggered during sex, can also be released during birth.” Debra Pascali-Bonaro, em http://www.orgasmicbirth.com/].
Fica o convite para entrar nesta viagem pela intimidade de vários nascimentos e por diferentes modelos de cuidado perinatal, que seguramente o levará a reexaminar a forma como se vive o parto em Portugal. As sessões de filmes são seguidas de palestras sobre diversos temas à volta da questão do parto e debates.»*

 

*Fonte: Caminhos do Cinema Português