Partos prematuros crescem 45% em 6 anos

De 2001 para 2007, o número de bebés nascidos antes do tempo aumentou 45%, passando de 6069 para 8801, ou seja, mais 2732. Uma tendência que é um sinal dos tempos. Gravidezes tardias e o recurso a técnicas de tratamento da infertilidade são duas razões para o aumento.

[…] O único medicamento licenciado para as ameaças de parto pré-termo nem sempre é o escolhido para tratar o problema. De acordo com Isabel Santos Silva, médica da Maternidade Bissaya Barreto (Coimbra), “há hospitais que não o usam, ou que o usam menos do que deviam”. O fármaco tem menos efeitos adversos nas mulheres do que os utilizados anteriormente, “e que nem estavam testados para tratar este problema”. Lá fora “até houve complicações graves e mortes, embora aqui só se tenham registado situações de dor de cabeça e desmaios”, por exemplo. O elevado custo – cerca de 350 euros contra os dez do remédio utilizado anteriormente – é uma das razões que a médica aponta para o menor uso. […]”

Fonte: Diário de Notícias, 04 de Dezembro de 2008

A luta para ter um filho

Rute Araújo publicou um excelente artigo no Correio da Manhã (15/11/2008) sobre a procriação medicamente assistida (PMA):

“[…] para 500 mil casais no País, desejar não chega. Engravidar é uma batalha. Gasta-lhes as energias, o dinheiro, o tempo e os sonhos. […] Torna-se a medida de todas as coisas. […]

Portugal faz tratamentos de PMA desde o final dos anos 80, durante décadas sem que uma lei lhes desse forma e limites. Até 2006. Mas o País não parou à espera de ter uma lei. Houve novas descobertas e criaram-se centros de PMA. Nasceram “seguramente mais de 20 mil crianças”, segundo as contas de Mário Sousa, geneticista e um dos precursores do País. Sete dos actuais centros são públicos. Se no privado um tratamento chega facilmente aos 5 mil euros, aqui só se pagam taxas moderadoras. Poupa-se dinheiro, mas gasta-se tempo.

[…] A partir dos 38 anos a taxa de sucesso desce e uma mulher deixa de ser aceite num centro público. Com a demora para cada consulta, cada exame e cada tratamento, aos 35 já começa a fazer contas de cabeça.

No ano passado, o Governo assumiu pela primeira vez que o que existe não chega. E anunciou um aumento dos apoios, prometendo mais 18 milhões de euros para financiar tratamentos no privado. Como as medidas do Governo também têm listas de espera, um ano passou e os casais continuam a aguardar que esses milhões lhes cheguem.

[…] Quando tudo estiver criado, haverá mais quatro centros – em Coimbra, Cova da Beira (Covilhã), Garcia de Orta (Almada) e Faro. E mais seis consultas especializadas nos hospitais. Todos juntos, os 11 centros de PMA públicos terão de atender pelo menos 50% dos casais. Os outros serão encaminhados para o privado, com o Estado a pagar uma parte dos tratamentos.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

– Quais os tratamentos de procriação medicamente assistida?

– Os nomes são complicados, mas bem conhecidos dos casais. Fecundação in Vitro (FIV), Inseminação Intra-Uterina (IIU) ou Microinjecção Intracitoplasmática (ICSI) são alguns deles. Mas a lista é extensa e depende da causa da infertilidade.

– O que é a infertilidade e como um casal a pode detectar?

– A infertilidade resulta de uma disfunção nos órgãos reprodutores, masculinos, femininos ou de ambos. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos.

– Pode prevenir-se a infertilidade no homem e na mulher?

– O geneticista Mário Sousa diz que quase metade dos casos podem ser prevenidos. O que passa por evitar o consumo de tabaco, álcool e drogas, reduzir o número de parceiros e aumentando a idade da primeira relação sexual.

– O que é um banco de gâmetas? Existe algum no País?

– É um banco onde se armazena espermatozóides e ovócitos para tratamento. Mário de Sousa, um dos melhores especialistas, tinha um projecto, mas o ex-ministro Correia de Campos inviabilizou a ideia. A DGS está a “consultar” especialistas.

– Os 26 centros existentes têm todos as mesmas condições?

– Só este ano foram criados requisitos de qualidade. O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida ainda está a licenciar os centros. O presidente, Eurico Reis, diz ter recebido apenas três pedidos, todos do sector privado.

[…] CENTROS DE REPRODUÇÃO

– Hospital Senhora da Oliveira, Guimarães

– Hospital de São João, Porto

– Hospital de Santo António, Porto

– Maternidade Júlio Dinis, Porto

– Maternidade Bissaya Barreto, Coimbra

– Maternidade Alfredo da Costa, Lisboa

– Clínica Obstétrica e Ginecológica de Espinho – COGE Rua da Idanha, Espinho

– Clínica de Genética Prof. Doutor Alberto Barros, Av. do Bessa, Porto

– Centro de Estudos e Tratamento da Infertilidade – CETI, Av. da Boavista, Porto

– Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Gaia

– Hospitais da Universidade de Coimbra, Coimbra

– Hospital de Santa Maria, Lisboa

– Centro de Medicina de Reprodução – FERTICARE, Av. da Liberdade, Braga

– Centro de Estudos de Infertilidade e Esterilidade, R. Dom Manuel II, Porto.

– Espaço Fertilidade, Rua do Brasil, Coimbra

– AVA CLINIC, Praça D. Pedro IV, Lisboa

– Centro CLIFER, Rua Padre Américo, Lisboa

– IMOCLINICA, Campo Grande, Lisboa

– Clínica Bom Jesus, Av. Príncipe Alberto do Monáco, Ponta Delgada

– Clínica CLINDIGO, Rua Luciano Cordeiro, Lisboa

– Centro CEMEARE, Av. das Forças Armadas, Lisboa

– British Hospital XXI, Rua Tomás da Fonseca, Torres de Lisboa.

– Centro de Medicina da Reprodução de Cascais, Al. Combatentes da Grande Guerra, Cascais

– IVI Lisboa, Av. Infante D. Henrique, Lisboa

– CLINIMER R. Dr. Manuel Campos Pinheiro, S. Martinho do Bispo

PREÇOS

MEDICAMENTOS

Comparticipados a 37%, os medicamentos chegam a custar mil euros por cada ciclo (injecções que estimulam a produção de óvulos, por exemplo).

TRATAMENTOS

No privado podem custar mais de cinco mil euros, como a Microfertilização (ICSI) com doação de ovócitos, ou quase quatro mil euros, como a Fertilização in Vitro (IVF). Muitas vezes, é necessário mais do que uma tentativa. […]”

Fonte: Correio da Manhã, 15/11/2008

Este país é para velhos?

«A tendência não é animadora: o ano de 2007 foi o primeiro em que Portugal registou mais mortes (103 727) do que nascimentos (102 213), se excluirmos o fatídico ano da pneumónica, 1918. Em relação a 2006, a taxa de natalidade sofreu uma redução de cerca de 3000 nascimentos. Cada mulher portuguesa tem hoje uma média de 1,3 filhos – número que não assegura a substituição de gerações. Estima-se que, em 2060, o número de pessoas com mais de 80 anos vai triplicar e que nem os imigrantes, que têm conseguido dar fôlego às sociedades modernas envelhecidas, vão salvar as estatísticas. Noutro pólo, os números da infertilidade não param de aumentar – estima-se que um em cada seis casais tem problemas de fertilidade, o que representa 10 a 15% da população. Consequência disso, nascem todos os anos em Portugal entre 700 a 900 bebés fruto das novas técnicas de reprodução assistida»

Fonte: Correio da Manhã, 28.09.2009 

Manual para contrariar a tendência para adoptar o bebé ideal

«Até ao final de 2008, vai ser lançado um Manual de Formação para Candidatos a adoptantes de crianças e jovens. De poucos meses, brancos, saudáveis e do sexo feminino. O “bebé ideal” impede mais adopções.

Os organismos e serviços que funcionam na área da adopção em Portugal decidiram elaborar um guia de formação, tanto para os que pretendem ser pais adoptivos, como para os que já o são.

[…] “A esmagadora maioria dos candidatos à adopção são casais com história de infertilidade”, muitos dos quais se submeteram a técnicas de fertilização, tendo optado pela adopção ao mesmo tempo ou depois de desistirem dos métodos facultados pela procriação medicamente assistida.

Estes casais pretendem, por isso, “a criança que não puderam gerar pela via natural, ou seja a criança de tenra idade” e a sua motivação principal prende-se com “o desejo legítimo à realização da parentalidade”.

O perfil destes candidatos faz com que, dos 2363 inscritos até ao final de Junho, 2305 queiram adoptar crianças até aos três anos. Destes, 1261 aceitam receber até aos seis anos, mas 1044 só deseja que lhe entreguem um bebé até aos 36 meses de idade.

[…] “Apenas um grupo menor de candidatos” não se importa de ter “uma criança de idade mais avançada, portadora de doença ou de raça diferente da sua” e que tenha irmãos também em situação de adoptabilidade.

O relatório refere igualmente que “através de acções de informação/formação” a médio prazo talvez seja possível “ajudar os candidatos a descentrar-se da criança bebé que não puderam ter” e a querer, simplesmente, um filho sem indicar requisitos especiais.

Quase 1200 crianças estão já em processo de adoptabilidade. É o que indicam as listas nacionais de adopção no final de Junho.

Destas 1190, a maioria (1065) já se encontrava inserida nas novas famílias: 452 com a adopção já decretada pelo tribunal e 613 em fase de pré-adopção (nos seis meses que distam entre a entrega da criança e a declaração do juíz) e 125 estavam em vias de integração. […]»

Fonte: Jornal de Notícias

Nova técnica para tratar infertilidade

«Quando tudo o resto parece falhar, para muitos a injecção intracitoplasmática de espermatozóides é a última possibilidade. Apesar disso, apenas um em cada três casais que recorrem ao método consegue alcançar o objectivo. No trabalho realizado na Alemanha os especialistas foram capazes de duplicar a taxa de sucesso.

“O método é recomendado quando o homem produz poucos espermatozóides”, revela Markus Montag, um dos autores do trabalho. O que os médicos fazem é extrair do tecido testicular espermatozóides funcionais, posteriormente injectados nos óvulos, com o trabalho do homem a terminar quando começa o da mulher, submetida a um tratamento hormonal para que se dê a maturação de óvulos no ovário.

“Injectamos o esperma em cada um dos óvulos”, explica o médico. “Depois são necessárias mais de 26 horas para se formar um embrião.” O passo seguinte é escolher qual o óvulo fertilizado que será implantado no útero.

[…] Para Isabel Torgal, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, “a principal dificuldade consiste na escolha do melhor espermatozóide e não do melhor óvulo”, explica ao CM. Apesar de, acrescenta, “nos últimos anos terem aparecido vários programas informáticos que se dizem muito inovadores, a verdade é que na prática clínica não se tem observado efeitos positivos significativos”. Por isso, afirma, o melhor mesmo é “esperar para ver”.»

Fonte: Correio da Manhã

Primeiro teste doméstico de fertilidade masculina do mundo

Foi posto hoje à venda nos Estados Unidos da América o primeiro teste doméstico de fertilidade masculina do mundo. O teste, já à venda no Reino Unido, permite que os casais descubram se têm problemas de fertilidade, antes de se dirigirem a um consultório.

Para além de um teste masculino, o “kit” junta ainda um exame para as mulheres. Como nota o Dr. Keith B. Isaacson, professor associado de obstetrícia, ginecologia e biologia reprodutiva na Harvard Medical School: “A maioria das pessoas fica surpreendida ao saber que em quase 50% dos casos é um factor masculino”. Ou como comenta o Dr. Harry Fisch, director do Centro de Reprodução Masculina da Universidade de Columbia: “Pode soar a tolice, mas a verdade é que são precisos dois para ter um bebé.”

Os resultados do teste poderão servir como sinal de aviso para que os casais consultem um médico com a devida antecedência. Os testes não são definitivos e, claro está, não substituem a consulta de um especialista.

Pode ser comprado online em www.boots.com por 59,99 libras.

Fonte: http://www.nytimes.com/2007/06/04/health/04fertility.html?ref=health

Ligações úteis:

Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução: http://www.spmr.pt; Site oficial do Fertell: http://www.fertell.co.uk