Portugal com a melhor taxa anual de redução da mortalidade infantil nas estradas

«Portugal reduziu em 47 por cento o número de mortes na estrada entre 2001 e 2008, colocando-se a três pontos percentuais do “objectivo ambicioso” da União Europeia de diminuir esses valores para metade até 2010.
A observação consta do 3º relatório Pin (Performance Índex) de segurança rodoviária, que esta segunda-feira é divulgado em Bruxelas.

[…] O caso português é indicado como o que tem a melhor taxa anual de redução da mortalidade infantil nas estradas, com 15 por cento. Nos últimos dez anos, cerca de 18.500 crianças até aos 14 anos morreram em colisões rodoviárias.
Contudo, Portugal ainda não conseguiu estar no quadrante mais favorável na comparação entre redução recente de mortos e a comparação total entre 2001 e 2008, assim como na mesma comparação em termos de mortalidade infantil. […]»

Fonte: “Relatório da UE sobre segurança rodoviária – Portugal reduziu em 47 por cento o número de mortes entre 2001 e 2008”, Público, 22/06/2009

Mortalidade Infantil em Portugal e nos E.U.A

Portugal é um dos cinco países que mais notáveis progressos fez na redução da taxa de mortalidade desde 1970. No relatório de 2008 “Cuidados de Saúde Primários – Agora mais do que sempre”, da Organização Mundial de Saúde (OMS), salienta-se que “o desempenho de Portugal para reduzir a taxa de mortalidade em várias faixas etárias é dos mais consistentes e bem sucedidos nas últimas três décadas”.

Neste relatório da OMS pode constatar-se que, entre 1970 e 1980, em Portugal a mortalidade perinatal foi reduzida em 71%, a mortalidade infantil em 86%, a de crianças em 89% e a mortalidade maternal em 96%.

A mortalidade infantil (óbitos de crianças nascidas vivas que faleceram com menos de um ano) é sem dúvida um dos indicadores por excelência da qualidade do sistema de saúde e mesmo da qualidade de vida de um país. Apesar de todas as críticas que lhe são feitas, este progresso denota que o acesso aos cuidados de saúde em Portugal tem melhorado substancialmente nas últimas décadas.

Por mais surpreendente que possa parecer, a trajectória de Portugal é exactamente oposta à dos Estados Unidos (E.U.A.), por exemplo. Enquanto em 1960 os E.U.A. ocupavam a 12.ª posição no ranking mundial da mortalidade infantil, Portugal, nesse ano, estava num sombrio 35.º lugar. Segundo dados de 2004 do Centers for Disease Control and Prevention, Portugal passou a ocupar o 10.º lugar nesse ranking e os E.U.A. o 29.º.

Este percurso inverso ainda se torna mais parodoxal quando se consideram as despesas com saúde per capita em Portugal –  1.897$ – e nos E.U.A. – 6.096$.

Segundo a OMS, o progresso registado em Portugal ficou a dever-se à aludida melhoria “no acesso às redes de saúde, que foram expandidas”, a “um compromisso político sustentável” e a “um crescimento económico que permitiu continuar a investir no sector de saúde”.

Nos E.U.A o debate sobre as causas do seu mau desempenho distribui-se por vários temas, desde a obesidade ao consumo de drogas, a falhas generalizadas no sistema de saúde e a um aumento dos partos prematuros (1), muitos dos quais por cesariana (2).

image

1) De 9% de todos os partos em 2000, para 12,7% em 2005;

2) Possivelmente 92% destes partos prematuros adicionais.

Fonte: New York Times, 15/10/2008; Editorial do New York Times, 19/10/2008, Diário As Beiras, 15/10/2008.