Região Centro tem a mais elevada taxa de prematuros

«[…] O Dia Internacional de Sensibilização para a Prematuridade é hoje assinalado em países de todo o mundo, com o intuito de reflectir sobre as formas de reduzir a taxa de prematuridade e as sequelas nas crianças, bem como de minimizar os problemas das famílias. A Maternidade Bissaya Barreto (MBB), em Coimbra, é uma das instituições a marcar a data. De acordo com a pediatra Fátima Negrão, cerca de 10 por centos dos bebés ali nascidos são prematuros (100 a 120 por ano), mas a grande maioria tem mais do que 34 semanas de gestação.
A fatia dos cinco por cento que nascem com menos de 34 semanas é a que traz mais preocupações e inspira mais cuidados dos profissionais de saúde, «pela sua imaturidade, pelo baixo desenvolvimento dos órgãos, nomeadamente dos órgãos respiratórios, que obriga a apoio ventilatório». Ainda que a idade gestacional seja mais importante do que o peso, estes são também bebés muito pequeninos, com peso normalmente abaixo dos 1.500 gramas. A taxa de mortalidade destes bebés na MBB ronda os 12 por cento, à semelhança do que é conseguido em centros de referência internacionais.
Mas o importante não é só que os bebés sobrevivam. «Preocupa-nos a qualidade de vida que vão ter. Cerca de 20 por cento fica com sequelas, que podem ser doenças crónicas respiratórias, défices sensoriais (surdez, défice de visão, etc.) ou uma paralisia cerebral», explica Fátima Negrão, reparando que «num maior número de crianças que sobrevivem há uma maior taxa de sequelas». Um “pau de dois bicos” que os especialistas têm de ter em consideração na altura de definir «os limites da viabilidade terapêutica». Neste momento, de acordo com a pediatra, «o consenso internacional é de que se deve investir no tratamento de bebés com 24 semanas ou mais».

400 gramas de vida
Ainda assim, graças ao investimento na área da obstetrícia são cada vez mais os bebés prematuros que conseguem ter um desenvolvimento saudável. E isso mesmo prova a história de um bebé que nasceu com apenas 400 gramas na MBB e cuja foto figura, orgulhosamente, no álbum da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN). Serve para mostrar às novas mães (e pais) de prematuros, dando-lhes mais confiança.
Para este tipo de resposta diferenciada, a MBB recebe grávidas de toda a região Centro e, sempre que possível, é feita a transferência “in utero”. «A mãe é a melhor incubadora que existe», sustenta Fátima Negrão. As mães – e também os pais – são preparados para receber o bebé prematuro, com uma visita à Unidade de Cuidados Intensivos, o folhear do álbum de fotos e tudo o que possa minimizar o impacto de não receber o filho nos braços após o nascimento e deste não ser (ainda) o bebé rechonchudo e rosado que imaginaram. 

Taxa elevada na região Centro
Segundo as estatísticas do Alto Comissariado para a Saúde, a região Centro tem a mais elevada taxa de prematuridade a nível nacional. Uma situação que os especialistas não conseguem explicar. No entanto, são conhecidos os factores que têm contribuído para uma maior taxa de prematuridade em Portugal e em outros países desenvolvidos, como o stress da grávida, infecções, a hipertensão, as gravidezes gemelares (relacionadas também com um aumento da procriação medicamente assistida) e a idade mais avançada das mães. Por outro lado, repara Fátima Negrão, «muitas mulheres com doenças crónicas (diabetes, lúpus, etc.) e outras, que não conseguiam engravidar, podem hoje concretizar esse sonho e levar quase até ao fim a gravidez».

Tive a sorte de a conhecer mais cedo
«As mães têm sempre um grande choque, porque o bebé está inacessível, rodeado por tubos, numa sala em que, por vezes tocam alarmes», explicam Helga Ribeiro e Cecília Parente, que deram ao Diário de Coimbra o testemunho de enfermeiras da UCIN e, simultaneamente, de mães de crianças prematuras. A primeira já com a serenidade que a distância trouxe, já que a filha tem hoje 11 anos e, apesar de ter sido sempre a mais pequenina da creche e do jardim-de-infância, teve um desenvolvimento perfeitamente normal. À filha costuma dizer, meio a brincar, que teve «a sorte de a conhecer mais cedo do que é costume». […]»

Fonte: Diário de Coimbra, 17.11.2009

Frágil hoje, Forte no futuro – Agenda Frágil’10

«A edição da Agenda Frágil para 2010 é apresentada amanhã, Dia Mundial da Prematuridade, às 19 horas, no bar Skones, em Lisboa. No cocktail de lançamento estão presentes os modelos, apresentadores, desportistas e músicos que abraçam esta causa, desde 2007, com a mesma certeza – ‘Frágil hoje, Forte no futuro’

André Sardet, João Portugal, Lúcia Moniz, Diana Chaves, Sofia Carvalho, Sónia Brazão, Diana Pereira, Érika Oliveira, Pedro Couceiro, Telma Monteiro e Vanessa Fernandes são as figuras públicas que este ano abraçaram a causa.

[…] A Agenda Frágil’10 é um projecto de divulgação e sensibilização da população para as causas e consequências da prematuridade, desenvolvido pela Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que conta este ano com a participação da XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro.

O projecto Frágil nasceu em 2007 pelas mãos da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria, com dois objectivos: divulgar e sensibilizar a população para as causas e consequências da prematuridade e angariar fundos para as entidades envolvidas, a Secção de Neonatologia e, este ano, também para a XXS – Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro.

Em Portugal, seis em cada 100 bebés nascem com menos de 37 semanas de gestação, e um por cento dos recém-nascidos tem menos de 1.500 gramas.

Os prematuros representam um terço da mortalidade infantil no nosso país. As crianças que nascem antes do tempo têm o sistema imunitário mais frágil e estão mais expostas a infecções e complicações que podem ser fatais.»

Fonte: Sol, 16.11.2009

O seu bebé é mais esperto do que julga.

Alison Gopnik* publicou recentemente um artigo deveras interessante sobre as capacidades de aprendizagem dos bebés e o modo como eles aprendem.

Se ao longo de muito tempo os psicólogos e filósofos consideraram que os bebés e as crianças de tenra idade eram basicamente adultos inacabados, os estudos mais recentes indicam que os bebés são mais inteligentes do que alguma vez se pensou.

Uma dessas experiências foi a formulada por Fei Xu e Vashti Garcia, na Universidade da Colômbia Britânica, destinada a provar que os bebés conseguiam compreender as probabilidades – “Mostraram a bebés de oito meses uma caixa cheia de bolas de ping pong: a maioria eram brancas mas havia também algumas vermelhas. Os bebés ficaram mais surpresos e olharam mais tempo e com mais atenção para a pessoa que realizava a experiência quando quatro bolas vermelhas e uma branca eram retiradas da caixa – um resultado possível mas improvável – do que quando quatro bolas brancas e uma vermelha eram recolhidas.

Vários pesquisas deste género têm confirmado as capacidades surpreendentes dos bebés. Mas os estudos também têm indicado que a inteligência dos bebés é bastante diferente da dos adultos.

O cérebro jovem é assaz plástico e flexível e tem mais ligações neuronais do que o cérebro de um adulto, apesar de ser muito menos eficiente. Os bebés e crianças pequenas são terríveis a planear e a concentrar-se apenas numa situação. Tal constatação levou a que, durante muito tempo, se subestimassem as suas capacidades. Como afirma Gopnik: “Computer scientists talk about the difference between exploring and exploiting — a system will learn more if it explores many possibilities, but it will be more effective if it simply acts on the most likely one. Babies explore; adults exploit.”

É por isto que, segundo Gopnik, a educação de um bebé não pode seguir os mesmos parâmetros da educação escolar. É um erro querer transformar um jardim-de-infância numa escola apostada em ensinar os bebés e as criancinhas de um modo muito planeado e focado em competências muito específicas, como se faz para crianças a partir dos 5/6 anos.

A mensagem de Alison Gopnik, autora de livros como “The Scientist in the Crib”, parece ser, sucintamente: “deixem as crianças explorar naturalmente o mundo que as rodeia”.

Gopnik conclui o seu artigo declarando que não há brinquedos prefeitos nem fórmulas mágicas. Mas uma coisa dá como certa e segura: “aquilo que as crianças observam mais atentamente, exploram mais obsessivamente e imaginam de modo mais vívido, são as pessoas à sua volta.”

*Alison Gopnik é professora de psicologia e filosofia na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Adpatado de: “Your Baby Is Smarter Than You Think”, por Alison Gopnik, New York Times, 15/08/2009

Pode também ler aqui no blog um outro artigo sobre o trabalho de Alison Gopnik: O cérebro do bebé: o mundo a seus pés.

Uma consulta com um Hal simpático e um médico sem tempo para empatia

«Impressionado e alarmado pelos avanços em inteligência artificial, um grupo de informáticos está a debater se deve haver limites à investigação que possa levar à perda de controle dos seres humanos sobre os sistemas baseados em computadores que são responsáveis por uma parte crescente das tarefas da sociedade, desde a guerra até conversar com os clientes ao telefone.

[…] Apesar das suas preocupações, o Dr. Horvitz [investigador da Microsoft e presidente da Association for the Advancement of Artificial Intelligence] disse que estava esperançoso de que a investigação em inteligência artificial iria beneficiar os seres humanos, e talvez até compensar as falhas humanas. O Dr. Horvitz demonstrou recentemente um sistema baseado na voz que projectou para questionar os pacientes sobre os seus sintomas e para lhes responder com empatia. Quando uma mãe disse que o seu filho estava com diarreia, o rosto no monitor disse, “Oh não, lamento ouvir isso.”
Um médico disse-lhe logo que era maravilhoso que o sistema respondesse à emoção humana. “Que grande ideia”, disse o médico ao Dr. Horvitz. “Não tenho tempo para isso.”»

Pode ver o vídeo da triagem efectuada pelo sistema computacional basaeado na voz aqui (site da Microsoft).

Fonte: “Scientists Worry Machines May Outsmart Man”, New York times, 25/07/2009

“O amor pelos filhos não se divide, antes se multiplica de cada vez que se recebe”

Sónia Morais Santos, jornalista responsável pela “Viagem da Cegonha”, na Antena 1, tem numa crónica sobre a sua terceira gravidez, na Pais & Filhos de Junho,  uma frase deliciosa:

A segunda gravidez foi o medo: e se eu não o amo tanto como amo o primeiro filho? Como será possível, de resto igualar um amor assim? Um receio só ultrapassado quando, acabado de sair de mim, o Martim chorou, e eu também, e assim aprendi que o amor pelos filhos não se divide, antes se multiplica de cada vez que se recebe.”

Fonte: Pais & Filhos, Junho 2009, pág. 76

Maridos de grávidas também ganham peso (e bebem mais cerveja)

«Uma pesquisa britânica sugere que homens ganham em média 6,3 kg quando suas parceiras ficam grávidas.

O estudo, realizado pela empresa de marketing britânica Onepoll, descobriu que os homens que ganharam peso durante a gravidez das parceiras geralmente tiveram um aumento de cerca de 5 centímetros em suas cinturas.
Cerca de 25% dos 5 mil entrevistados também afirmaram ter comprado novas roupas, devido ao ganho de peso causado pela paternidade.
Um quinto dos pais pesquisados afirmou que só percebeu que tinha ganhado peso quando suas roupas não serviram mais.

Mas 19% deles afirmaram que seus amigos alertaram que eles estavam mais gordos que antes, geralmente com piadas.

[…] Entre os lanches prediletos dos pesquisados durante a gestação das parceiras estavam pizza, chocolate, batata frita e cerveja.

A pesquisa também concluiu que 25% dos homens consomem mais comida para fazer com que as parceiras grávidas se sintam melhores a respeito do próprio ganho de peso durante a gestação.

“A mulher normal ganha quase 13 kg durante a gravidez, e não é totalmente incomum para ela ter desejos por comidas mais gordurosas. Elas precisam de lanches mais regulares”, afirmou um porta-voz da Onepoll.

“As mulheres são estimuladas a consumir 300 calorias a mais por dia, comendo lanches saudáveis, para garantir que as necessidades nutricionais do bebê sejam atendidas.”

“Então, se os armários da cozinha, de repente, estão cheios de lanches e comida, não é de se admirar que os homens fiquem tentados a comer também”, afirmou o porta-voz.

“O único problema parece ser que os homens estão escolhendo lanches como doces e bolos, e não acho que as mulheres possam ser responsabilizadas pelo fato de os maridos beberem mais cerveja.” […]»

Fonte: BBC, 22/05/2009

Saber o sexo do bebé às 9 semanas (com 90% de precisão ou 10% de incerteza)

« […] É do senso comum que é preciso esperar até às 20 semanas de gestação para que um casal saiba o sexo do bebé. Tudo está mais simplificado após a entrada no mercado do “IntelliGender”. Este simples, rápido e, aparentemente, eficaz teste, pode determinar ao fim de apenas 9 semanas se os pais terão um menino ou uma menina.

O modo de utilização do IntelliGender, é muito semelhante ao de um vulgar teste de gravidez. A primeira urina do dia, em contacto com os químicos do kit produz resultados ao fim de 10 minutos: se ficar verde ou preto é menino, se ficar laranja ou amarelo é menina.

[…] Os especialistas apontam para uma taxa de precisão na ordem dos 90%. Mas Ted Eaver, chefe do Colégio Real Australiano e Neozelandês de Obstetras e Ginecologistas, argumenta que um teste destes não pode ter o mesmo grau fiabilidade de uma ecografia ou de uma amniocentese.»

Fonte: Jornal de Notícias, 9 de Junho de 2009

O cérebro do bebé: o mundo a seus pés

Como é que é ser-se um bebé? Durante séculos esta questão soaria absurda: atrás daquela adorável face estava simplesmente uma cabeça vazia. Um bebé, afinal, não tem a maioria das especificidades que definem a mente humana, tais como a linguagem e a capacidade de raciocínio. […] Pensar como um bebé é não pensar de todo.

A ciência moderna tem acompanhado genericamente esta visão, enumerando todas as coisas que os bebés não poderiam fazer porque os seus cérebros ainda não estavam suficientemente desenvolvidos.

Presentemente, contudo, os cientistas começaram a rever radicalmente a sua concepção da mente do bebé. Utilizando novas técnicas de investigação e novas ferramentas, revelaram que o cérebro de um bebé fervilha de actividade, é capaz de aprender quantidades impressionantes de informação num período relativamente curto. Ao contrário da mente de um adulto, que se restringe a uma pequena parcela da realidade, os bebés conseguem apreender um espectro muito maior de sensações – eles estão, em grande medida, mais despertos para o mundo do que nós estamos.

De acordo com Alison Gopnik, uma psicóloga da Universidade da Califórnia, Berkeley, e autora do livro no prelo “The Philosophical Baby”, “Nós tivemos esta visão muito enganadora dos bebés. O cérebro do bebé está perfeitamente desenhado para aquilo que necessita de fazer, que é aprender sobre o mundo que o rodei. Há momentos em que ter um cérebro completamente desenvolvido pode quase parecer um impedimento.”

Adaptado de: Jonah Lehrer, “Inside the baby mind”, THE BOSTON GLOBE, 26 de Abril de 2009