Arranca dentro de semanas o primeiro banco público de células do cordão umbilical

«Após anos de indecisão pública, e depois do aparecimento de seis empresas privadas, o Governo já assinou o despacho que cria este banco no Porto, no Centro de Histocompatibilidade do Norte.

Aqui vão ficar armazenadas as dádivas dos pais de recém-nascidos. Depois, as células do cordão umbilical podem ser disponibilizadas de forma gratuita a quem delas precisar.

José António Belo, da Sociedade de Células Estaminais, diz que Portugal só peca pela demora e faz a comparação com Espanha, onde só existem bancos públicos já que o Governo nunca autorizou esta prática a empresas privadas. “A ideia é essa: é que as pessoas doem o cordão para que lhe seja retirado o sangue e serem congeladas aquelas células progenitoras”.

“Essas células” – explicou – “são tipadas em termos de histocompatibiliadde e ficam num registo. Da mesma maneira como temos um banco de dados de dadores de medula óssea passamos a ter um banco de células que estão lá, prontas a ser usadas”.»

Fonte: Renascença, 26/06/2009

Banco público de recolha de células de cordão umbilical

«O banco de recolha de células de cordão umbilical que irá arrancar este ano, tal como foi ontem anunciado no Parlamento pelo primeiro-ministro José Sócrates, está instalado há dois anos no Centro de Histocompatibilidade do Norte, a entidade que também faz a recolha de medula óssea a nível nacional. As máquinas necessárias para a recolha e conservação custaram meio milhão de euros. E até já se fizeram recolhas. Mas todo o sistema está desligado à espera do Governo.Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte, lembra a história atribulada deste banco público de células de cordão umbilical, que já tinha sido anunciado, em 2005, como então o PÚBLICO noticiou, para arrancar no Centro Regional do Sangue do Porto. Mas acabou por não ir para a frente. “As propostas que foram feitas estavam desfasadas do que é a cobertura sanitária do país”.[…] “A politização é sempre lesiva para os doentes. Temos o equipamento, o consentimento dos doentes, mas temos de esperar que o Governo diga que é agora”, lamenta a investigadora.»Fonte: Público, 15-01-2009 

Primeiro ensaio clínico de uma terapia com células estaminais embrionárias

“A Agência norte-americana para os Medicamentos (FDA) autorizou hoje o primeiro ensaio clínico de uma terapia com células estaminais embrionárias.[…] No ensaio, os voluntários com lesões na medula espinal serão injectados com células derivadas de células estaminais embrionárias, na esperança que estas possam regenerar as células nervosas lesionadas e, eventualmente, permitir que as pessoas voltem a andar.Fonte: SIC, 23-01-2009 

Verdade e mitos da criopreservação

«Quem são os pais que resistem, por muitos sacrifícios que tenham que fazer, a “comprar” um suposto seguro de vida para o seu recém-nascido, habilmente oferecido durante a gravidez ou mesmo à porta da sala de parto?

Não espanta, por isso, que os bancos de criopreservação de células estaminais sejam dos negócios que mais floresceram nos últimos anos, multiplicando-se como cogumelos as empresa e as propostas. As células estaminais embrionárias são, de facto, células maravilha.

Não diferenciadas, ou seja, como ainda não lhes foi atribuída uma função particular, são capazes de evoluir para substituir qualquer célula humana. Na prática, podem «fazer as vezes» de tecidos danificados, boicotando doenças mortais. São mágicas portanto.

Teoricamente, então, faria todo o sentido que os pais as conservassem, custasse o que custasse, como arma de reserva para vir em auxílio do seu filho, caso este desenvolvesse alguma das doenças que a medicina já começa a saber tratar através deste método.

Contudo, e aí é que está o cerne da questão, os especialistas recordam (mas as empresas tendem a colocar a informação em letras pequeninas) que raramente as células estaminais de alguém que venha a sofrer, por exemplo de leucemia, lhe vão poder valer, já que se encontram feridas do mesmo defeito que o levou a adoecer.

Ou seja, em termos práticos, são raras as situações em que poderá ser tratado por células homólogas. Sendo assim vista como «salvação» do próprio filho, a criopreservação não será o milagre que se apregoa, mas é perfeitamente verdade que pode ser (e já foi) no caso de um irmão ou de um familiar próximo.

Contudo, seriam ainda mais úteis num banco público a que, como acontece com os bancos de sangue e de órgãos, qualquer pessoa pudesse aceder. Esse banco teria um leque de oferta de células compatíveis muito maior, acabando por servir, e gratuitamente, todos os doentes que dele necessitassem, inclusivamente, claro, o nosso próprio filho.

O cientista Mário de Sousa já apresentara uma proposta neste sentido a Correia de Campos, que a recusou. Sócrates voltou ontem ao tema. Espera-se que as inevitáveis pressões dos interesses privados não o desviem da sua intenção.»

Fonte: editorial de Isabel Stilwell em Destak, 15-01-2009 

 

Banco Público de Células do Cordão Umbilical

“O futuro Banco Público de Células do Cordão Umbilical assentará na dádiva e vai funcionar num sistema universal, em que todos poderão recorrer às células estaminais armazenadas, apurou a Renascença.[…] Ouvido pela Renascença, o Professor Agostinho Almeida Santos, especialista em genética, espera que impere o altruísmo entre os portugueses, para o que banco público possa ter sucesso.O antigo director dos Hospitais da Universidade de Coimbra explica que, ao contrário dos privados, os bancos públicos não garantem exclusividade no uso das células estaminais, que podem ser doadas a outra criança que precise para tratar uma doença.”Fonte: Rádio Renascença, 15-01-2009