O que as mamãs devem saber sobre aleitamento materno

Não há dúvidas de que o Leite Materno é o melhor alimento para o bebé. O leite materno é o alimento ideal porque contém todos os nutrientes que o bebé precisa, nos primeiros seis meses de vida, e o ajuda a crescer mais saudavelmente. Nenhum outro leite, alimento, bebida ou mesmo água devem ser fornecidos ao bebé quando está a ser amamentado ao peito.

Para apoiar as futuras e as recentes mamãs a Medela compilou alguma informação acerca do leite materno e da amamentação:

– Composição do Leite materno

– Tipos de mamilos

– Cuidados e higiene dos mamilos

Composição do Leite materno

O leite materno é feito especialmente para o bebé. A composição nutritiva do leite materno é original e combina perfeitamente com as necessidades do bebé. O leite materno atravessa estágios diferentes da amamentação: colostro, leite transaccional e leite maduro.

Colostro

Durante os primeiros dias após o nascimento a mulher produz um leite especial denso, pegajoso e amarelado. A este leite especial chamamos colostro. Este contem anticorpos que promovem o crescimento do bebé e fornecem defesas contra agentes infecciosos.

O colostro tem um efeito laxativo que ajuda o bebé a expulsar as primeiras fezes e a diminuir a probabilidade da icterícia neonatal. Embora em pouca quantidade o colostro é tudo o que seu bebé necessita durante os primeiros dias.

Leite de transição

Durante as duas semanas seguintes, o leite aumenta de quantidade e muda de aparência e composição. As imunoglobulinas e os índices de proteína diminuem visto que os índices de gordura e açúcar aumentam. Neste período, pode sentir os seios mais tensos e pesados. A isso chama-se de ingurgitamento, o que é normal acontecer com a descida do leite. Este mau estar pode e deve ser aliviado amamentando o bebé com frequência.

Leite maduro

O Leite maduro com um aspecto mais aquoso do que o leite de vaca pode às vezes confundir. No entanto, contem todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável do bebé. O leite materno nunca “dilui demasiado”. O leite maduro muda durante o período de amamentação de uma única mamada para servir exactamente as necessidades de um bebé.

Tipos de mamilos

Antes do seu bebé nascer, é útil saber que tipo de mamilo a mãe tem. As mulheres podem ter variações diferentes de mamilos. Estas variações incluem mamilos pequenos, grandes ou longos, lisos ou invertidos.


Os Mamilos Planos ou Invertidos podem dificultar a amamentação. Mas se seguir algumas medidas de preparação poderá amamentar sem dificuldade.

Pode determinar se tem ou não mamilos planos ou invertidos comprimindo delicadamente a aréola, aproximadamente três centímetros atrás do mamilo. Um mamilo invertido inverterá ou retrairá.

Se os seus mamilos forem planos ou invertidos pode usar um formador de mamilo para ajudar a prolongar o mamilo. O formador de mamilo pode ser usado durante a gravidez e/ou após o nascimento. O conselho de um especialista em amamentação ou da enfermeira assistente, é recomendável, se suspeitar ter mamilos planos ou invertidos.

Higiene e cuidado do mamilo

Não é necessário limpar o peito ou mamilo de maneira especial antes ou após alimentar o bebé. Enxaguar o peito com água no banho diário é tudo o que precisa. Deve ser evitada a utilização de sabão ou desinfectante nos mamilos e aréola para não secar a pele, que pode contribuir para o surgimento de mamilos macerados ou gretados.

Durante a gravidez as glândulas de Montgomery que cercam o mamilo começam a segregar um óleo natural que lubrifica a pele e inibe o desenvolvimento de bactérias.

Após a amamentação deve extrair algumas gotas de leite, massajar delicadamente e deixar secar a pele. Pode ainda aplicar uma quantidade reduzida de lanolina purificada (por exemplo: Purelan 100 ) nos mamilos e na aréola. Os soutiens e protectores de seio descartáveis ou laváveis devem permitir a circulação do ar.

Amamentar não significa magoar ou doer. Se for doloroso amamentar procure ajuda junto um especialista em amamentação ou da sua enfermeira assistente. Existem vários factores para ter dor: Mau posicionamento do bebé, má pega, mamilo gretado, infecção mamária,…

Fonte: Medela, Bacelar

A primeira mamada

Ao nascer os seios estão prontos a produzir leite. Este processo inicia-se quando o bebé agarra a aréola e começa a sugar; faz isto instintivamente, logo que sinta o peito junto da sua boca. Pode ser ajudado a iniciar a sucção segurando-o contra o peito e tocando com o mamilo o seu lábio inferior.

Quando o bebé agarra o peito a sua boca fecha-se à volta da aréola, a língua forma um cavado à volta do mamilo e com um movimento ondulante, comprime o reservatório do leite esvaziando os seus canalículos.

Se possível deve evitar-se dar biberão porque a sucção pelo peito é diferente da sucção pela tetina, sendo alguns bebés muito sensíveis a esta diferença.

Uma vez iniciada a sucção eficientemente, estes movimentos estimulam terminações nervosas do mamilo que por sua vez vão estimular a glândula pituitária no cérebro. Esta responde produzindo hormonas – prolactina e ocitocina. A prolactina estimula o seio a produzir mais leite e a ocitocina estimula os músculos dos canais do leite a ejectá-lo no reservatório sob a aréola. Esta hormona vai também fazer contrair os músculos do útero, de tal modo que nos primeiros dias ou semanas após o parto poderão sentir-se dores no útero quando se amamenta. Apesar de um pouco doloroso, este processo vai ajudar o útero a voltar mais rapidamente ao tamanho normal reduzindo, a perda de sangue pós-parto.

O ibuprofeno ajuda a aliviar estas dores.

Após um breve período de sucção dá-se o início da lactação – o leite começa a fluir (descida do leite).

Os sinais de que a descida do leite está a ocorrer variam de caso a caso e com o volume de leite requerido pelo bebé. Algumas mães têm uma sensação de formigueiro, enquanto outras têm um aumento de pressão e sensação de seio completamente cheio; estas sensações são rapidamente aliviadas logo que o leite começa a fluir. Há mães que nunca têm estas sensações, apesar de também amamentaram com sucesso. O fluxo de leite varia em forma de jacto, gotejamento ou em corrente. Algumas mulheres têm a sensação de esvaziamento de leite e outras não. Estas sensações podem ser diferentes de um peito para o outro.

O período pós-parto é uma fase de grande ansiedade e insegurança, particularmente para a mãe pela primeira vez. É importante que o pediatra tire dúvidas e preocupações às mães mais inexperientes e indecisas. Estas sessões de orientação devem incluir o pai, pois o conhecimento das personalidades e expectativas de ambos os pais é muito importante para ajudar a evitar problemas físicos e psicológicos centrados na alimentação.

Se o parto foi normal, a mãe e o bebé estiverem bem, se possível, amamentação deve ter início, se possível, na primeira hora a seguir ao parto.

A posição mais confortável será com a mãe deitada de lado e o bebé também deitado, voltado para a mãe, em frente do peito. Tocando com o mamilo o lábio inferior do bebé ele instintivamente abre a boca, agarra o seio e começa a mamar. Esta sucção teve já início dentro do útero, ao chupar nos dedos, nas mãos e até nos pés. Por vezes é necessário ajudar o bebé a iniciar a mamada – comprimindo o peito com a mão acima da aréola e introduzindo-o na boca do bebé, com o mamilo levemente dirigido para cima.

Deve-se deixar o bebé mamar o tempo que quiser no primeiro seio e só depois passar ao outro lado, se ainda estiver interessado em mamar.

No início, a descida do leite poderá demorar um a dois minutos após o início da sucção, passando a ser mais rápida após a primeira semana. A quantidade de leite também vai aumentar substancialmente após aquela data.

Quanto mais relaxada e confiante estiver a mãe, mais facilmente se dará a descida do leite.

Se mantiver uma dor sustentada no mamilo, na aréola ou no seio, deverá informar o médico ou enfermeira.

Uma vez em casa, as seguintes sugestões poderão ajudar o reflexo da descida do leite:

  • Aplicar compressas húmidas e mornas no peito alguns minutos antes da mamada

  • Sentar numa cadeira confortável com as costas e braços bem apoiados

  • Colocar o bebé bem posicionado com a face em frente do peito

  • Usar técnicas relaxantes como respirar fundo, ouvir música suave

  • Escolher um lugar tranquilo para amamentar

  • Não fumar nem tomar bebidas alcoólicas ou drogas

O primeiro leite é o chamado colostro – solução líquida e amarelada produzida nos primeiros dias após o parto. Contém mais proteínas, sais, anticorpos e outras substâncias protectoras. É menos gordo e menos calórico.

Do 3º ao 5º dia após o parto, os seios começam a produzir o chamado leite de transição. Este leite é mais cremoso e branco do que o colostro. Após o 10º / 14º dia o leite adquire mais gordura e torna-se ainda mais cremoso.

O aumento de volume dos seios pode ser muito desconfortável e doloroso. A melhor solução é amamentar o bebé sempre que esteja com fome e esvaziar os dois seios cada duas horas. Por vezes os seios estão tão cheios que o bebé não consegue agarrá-lo. Nesta situação deve-se aplicar compressas húmidas e mornas, fazer a expressão manual do seio, massajando desde a axila até ao mamilo ou retirar algum leite com a bomba antes da mamada.

O volume de leite produzido aumenta substancialmente após a primeira semana. Nos primeiros 2 dias pode produzir apenas 5 ml em cada mamada; pelo 4º ou 5º dia o volume aumenta a 30 ml e pelo final da 1ª semana, dependendo do apetite do bebé e da duração das mamadas, pode-se produzir 60 a 150 ml em cada mamada.

No final do primeiro mês o bebé deverá receber cerca de 720 ml de leite por dia.

Fonte: Fichas Bebé Confort

Com a colaboração de Laurentina Cavadas (Médica Pediatra)