Primeiro banco de leite materno em Portugal abre em breve em Lisboa

«Ainda não há data certa para arrancar – provavelmente no próximo mês -, mas já há mães interessadas em doar leite ao primeiro banco de leite humano em Portugal, que abre em breve na Maternidade Alfredo da Costa.

Os equipamentos necessários para a recolha, análise e conservação do leite estão já instalados e, ontem, arrancou a formação do pessoal médico que vai trabalhar neste projecto: nutricionistas, médicos de pediatria, enfermeiros de pediatria e do espaço amamentação. Jorge Branco, director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, explicou que o banco de leite humano vai começar a funcionar assim que tenham a certeza de que está tudo em condições. E acredita que não vão faltar dadoras visto que, assim que o projecto começou a ser divulgado, começaram a receber telefonemas de mães interessadas em doar o seu leite.

[…] Para que uma mãe possa ser aceite num banco de leite tem de reunir várias condições. Desde logo, estar a amamentar, não ser fumadora, consumidora de bebidas alcoólicas ou de quaisquer produtos estupefacientes.»

Fonte: Jornal de Notícias

Mulheres portuguesas são mães cada vez mais tarde

«As mulheres portuguesas são mães cada vez mais tarde. […] Em 2007, quase um quinto dos bebés eram filhos de mães com mais de 35 anos.

[…] A meta do Plano Nacional de Saúde para 2010 é de 14, 2 por cento de mães com mais de 35 anos. […] A alta-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, considera que, “se calhar, esta meta não deveria existir”. Não faz sentido pensar que se pode obrigar as mulheres a terem filhos mais cedo.

[…] O fenómeno do adiamento da idade média em que as mulheres têm filhos (e, sobretudo, o primeiro filho) começou a evidenciar-se em Portugal há já alguns anos, ainda que se tivesse acentuado nos últimos.»

Em 1982, a idade média da mulher quando do nascimento do primeiro filho, era de 23,5 anos. «A partir daí foi sempre a crescer (no ano passado era já de 28,2 anos).»

Segundo a OCDE, a nível mundial, a idade média das mães aquando do nascimento do primeiro filho tem aumentado cerca de um ano por década desde 1970.

«Apesar dos riscos inegáveis da maternidade depois dos 35 anos […], Jorge Branco, responsável pelo Programa de Saúde Reprodutiva, lembra que a medicina está hoje “bem apetrechada” para lidar com esta realidade.

E felicita as mulheres:”São mesmo o sexo forte. Conseguem trabalhar bem e, ao mesmo tempo, constituir família”.»

Fonte: Público, 09-06-2008

Sintomas precoces da Gravidez

«Embora não sejam exclusivos da gravidez, esta faz-se frequentemente acompanhar de algumas queixas que, dentro de certos limites, são consideradas sem relevância clínica e não têm consequências negativas nem para a grávida nem para o feto.
Assim, pouco tempo depois da falta menstrual, ou mesmo um pouco antes dela, é normal sentir um ou mais dos seguintes sintomas:

Hipersensibilidade mamária ou mamilar
Hemorragia genital ligeira
Fadiga e sono
Náuseas e vómitos
Aumento da frequência urinária
Aversão a alguns alimentos
Obstipação
Alterações do humor
Cefaleias»

Fonte: Maternidade Alfredo da Costa, “Sintomas Precoces da Gravidez” pelo Prof. Dr. Jorge Branco

Um quarto das crianças gémeas nascem de Procriação Medicamente Assistida

«Na primeira metade da década de 1990 nasciam por ano pouco mais de dois mil gémeos em Portugal, mas nos últimos cinco anos esse número tem quase chegado aos três mil, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). A subida deve-se ao aumento dos tratamentos de infertilidade, explicam os especialistas.
Em fóruns de discussão na Internet diz-se que a probabilidade de um casal ter gémeos aumenta com a idade da mãe, quando a sua dieta é rica em leite, com a poluição, e a lista continua. “Tudo mitos”, resume Calhaz Jorge, responsável pela unidade de reprodução do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
O único factor espontâneo associado ao nascimento de gémeos explica-se pela tendência biológica de uma mulher produzir mais do que um óvulo por mês (“o padrão da espécie é um óvulo mensal”). “Quando existem na família pares de gémeos não iguais isso pode querer dizer que existe esta tendência biológica.” Mas a taxa espontânea de gémeos não vai além de um a dois por cento, afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR), Silva Carvalho.
Então, como se explica que em 1990 os gémeos representavam 1,7 por cento dos 116.321 nascimentos nesse ano e em 2007 já sejam 2,7 por cento dos 102.492 recém-nascidos? Para Silva Carvalho, a resposta é óbvia e deve-se ao aumento dos tratamentos de infertilidade.
Num estudo que fez em 2006, com Vladimiro Silva, o presidente da SPMR situa em 1987 – um ano após o começo dos tratamentos para a infertilidade no país – o início da subida dos partos gemelares, que até aí se tinham mantido estáveis. Essa subida é particularmente visível no caso dos trigémeos, por serem “os que menos ocorrem espontaneamente”, que cresceram 500 por cento de 1987 a 2002. Ainda assim, os números são baixos: os últimos dados do INE, referentes a 2005, dão conta de 38 partos de trigémeos (em três casos um dos fetos nasceu morto) e quatro partos gemelares superiores a três crianças nesse ano.
“Um quarto das crianças gémeas nascem de Procriação Medicamente Assistida [PMA]”, constata Silva Carvalho, o que inclui a fertilização in vitro e a injecção introcitoplasmática de espermatozóides. […] Silva Carvalho explica que estimativas internacionais apontam para 23,8 por cento de taxas de gémeos resultado de estimulação ovárica e 9,5 por cento de inseminação artificial. […]
Porque ter gémeos traz riscos, é visto como positivo o facto de o seu número parecer estar a estabilizar e até ter tendência para diminuir, concordam os dois especialistas. E isso tem uma explicação técnica: é que quanto mais embriões forem transferidos para o útero da mulher maior é a probabilidade de engravidar de gémeos, e esse número tem vindo sempre a cair na última década.
Há dez anos, a transferência de quatro embriões era prática corrente em Portugal; em 2000, em quase 60 por cento dos casos eram transferidos três embriões; e hoje a norma é um ou dois: em 2005 (último ano em que há dados de PMA), mais de 60 por cento dos tratamentos já se fizeram só com dois embriões. Há cerca de cinco anos descobriu-se que a partir de dois embriões a taxa de gravidez não diminuía mas reduziam-se as hipóteses de gravidez gemelar, diz Calhaz Jorge, mas “o ideal seria a transferência de apenas um”.
O problema é que os casais inférteis que recorrem a centros privados – alguns dos centros públicos têm listas de espera e impõem limites de idade mais estritos – são obrigados a gastar cerca de quatro mil euros (com medicação) por ciclo de tratamento e não querem arriscar diminuir a sua probabilidade de engravidar (as taxas de sucesso das PMA andam pelos 30 por cento), admite Silva Carvalho. […]
O coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, realça que “na PMA a gravidez gemelar é considerada uma complicação” e é, por isso, desejável que seja reduzida. Admite que “talvez haja algum exagero no privado no número de embriões transferidos” e espera que a comparticipação venha a diminuir o número de gémeos.»

Fonte: Jornal Público, 07-09-2008 (Catarina Gomes)